25 de setembro de 2016

Precisando de ajuda pro vestibular?

O Diário de Estudante já é algo intrínseco a esse blog, então se você ainda não conhece, por favor me respeita. Dentro dessa vibe, criei o aulinha, pra dar uns help pra quem tá estudando pro vestibular e, de quebra, matar minha vontade de dar aula. Sei que a internet tá cheia de vídeo-aula, mas aqui a ideia é quebrar essa sensação de sala de aula e falar dos assuntos de um jeito bem prático e de bouasss.

A última aula foi dada pelo Vini, com direito a look-do-dia-de-biólogo e cenas de Vida de Inseto. O tema foi artrópodes, um dos que eu mais brisei na época do cursinho, porque achava muito trampo decorar tantos detalhes. 

Não sei vocês, mas eu era muito foda-se na época do pré-vestibular, apesar de ter estudado muito. Tinha vezes que eu deixava de estudar um negócio por achar muito complicado demais e pensava "aff, muito difícil, jamais entenderei". O problema é que às vezes a gente erra uma questão que poderia ter acertado numa boa, caso tivesse tido um pouquinho mais de paciência na hora de estudar. 

Eu venho intercalando as matérias da faculdade com os temas de vestibular, porque me inscrevi na Fuvest - SIM SOU LOUCA - e quero ver no que vai dar. Pela primeira vez, estudei ciclo reprodutivo dos vegetais, assunto que tentei em 2014 e simplesmente falei "kerido, não sou obrigada". Foi trabalhoso, mas no fim das contas, consegui entender o rolê todo e acertei a maioria das questões das provas anteriores, e as que eu errei, entendi porque errei (isso é muito importante, aliás). 

Não se esqueçam de assistir à última aula, hein! Espero que a explicação dedicada e fofa do Vini ajude vocês!


Lembrando que quero temas! Ainda falta um tempo pro enem - e pros outros vestibulares -, então dá tempo de eu publicar mais vídeo aulas. Alguém tá com dificuldade pra se organizar, manter o foco, controlar o desespero? Possuem dúvidas do tipo "como criar um plano de estudo que não acabe com a minha vida pessoal e minha saúde mental"? Deixem aí nos comentários ou chama no face, que a gente resolve!

PS: Não quero saber de ninguém virando noite estudando, porque se eu souber, vou enviar aqueles carros de mensagem na porta da casa da pessoa e vou sair dele berrando 'VAI DESCANSAR', vestida de coração

24 de setembro de 2016

Sobre exposição na internet e aquela galera chata do caralho

Ultimamente venho lendo muitas frases do tipo "o que é verdadeiro não precisa ser exposto na internet", o que me fez pensar: porra, então eu vivo uma verdadeira farsa. 

Fiz vídeos durante um ano contando como foi o preparo pro vestibular, gravei viagens e editei em vídeos com música emocionante no fundo, contei como foi me mudar pra Floripa, vivo escrevendo sobre namoro à distância, posto selfie com efeito vintage, posto foto com meus amigos nos rolê, posto foto com o Vini e lasco na legenda inspirada. Nada disso é mentira. Ou é e eu não percebi? Avisem aí que eu tomarei providências, em busca da realidade. 

A timeline do coleguinha é alvo de vários "aff", mas na hora de assistir programinha de viagem do multishow ou visitar o pinterest, tá ok né? Vamos parar com essa mania chata de demonizar o facebook e outras redes sociais como se elas fossem te transformar um ser humano fútil, que só liga pra aparências. Se a internet acabasse hoje, esse mundo de aparências continuaria existindo, o que prova que o problema não está no que tu compartilha, mas sim no preparo das pessoas em lidar com essa realidade. E é sobre isso que trato no próximo parágrafo.

Tem um vídeo da Jout Jout, que talvez seja um dos meus favoritos, esse aqui. Ele mostra o quanto é importantíssimo saber que a gente não tá sozinho, que muitos de nós temos questionamentos e inseguranças compatíveis, que não existe ser humano em equilíbrio eterno. Ficar de boa é um objetivo, não uma realidade constante. Portanto, uma foto bonita que você tira na praia não vai definir toda a sua vida, entende? Mas o que vai? Isso mesmo: nada. E a culpa disso não tá na sua foto. 

Se você gosta de compartilhar coisas legais na internet, não se culpe por mostrar só um lado da moeda. Eu ainda faço questão, principalmente aqui no blog, de "desromantizar" certas coisas e mostrar que "ok, tirei essas fota aqui, mas ontem tava estressada chorando em posição fetal enquanto ouvia exit music for a film até dormir, porque entrei em crise existencial". Acontece que a gente não é obrigado a ficar provando isso o tempo todo, entende? É intrínseco a todos nós essa instabilidade emocional, em algumas pessoas mais, em outras menos, e tá tudo certo, cara. Como disse em um texto recente, ninguém é obrigado a estar bem sempre.

"Ah, mas tem umas coisas muito forçadas e escrachadas". Ser forçado/escrachado é relativo. Tem gente que gosta de ver aqueles vlogs "mais do mesmo", já eu prefiro coisas mais naturais e cotidianas, mas isso não me faz menos-aproveitadora-da-internet. Se a gente exige do amigo que fale na legenda "estou postando essa foto com meu namorado hoje na timeline mas na verdade eu tava bem triste porque a comida queimou e eu chorei", então a gente tem que exigir que o apresentador do programa de viagens maneiras da multishow diga "porra, galera, que lugar chato do caralho, mas tamo ai filmando pra vocês acharem legal". 

Quer me ver brava é eu abrir o app da câmera do celular pra tirar uma foto no rolê e vir um ser humano chato com aquela de "aff, pra que tirar foto, curte o momento". Porra velho, tua mãe tirou foto do teu aniversário de um aninho e nem por isso deixou de curtir a caralha do momento. "Nossa, mas por que vai postar essa foto do rolê de ontem no face? que necessidade é essa?". Mano, é só tu postar um negocinho ali que já vem a coletiva de imprensa investigar os motivos. 


Pois bem amigos: ao invés de ficar inventando motivos como "adorei o restaurante que fomos e quero divulgá-lo para meus amigos", quando na verdade você sabe bem que postou porque ficou maravilhosa na foto e o rolê foi lindo e você quer mostrar que foi ótimo mesmo, responda:

- Porque o facebook possibilita que se poste fotos e eu estou interessada em usufruir de tal ferramenta

Parei de ficar me questionando do porquê de eu querer postar que tô assistindo tal filme com tal pessoa. Se digitar no google acadêmico deve ter altas teses e artigos sobre a relação entre o ser humano e a exposição na internet, pra quem quiser ler e fazer disso uma filosofia de vida. Se você acha legal buscar isso pra si mesmo, tá tranquilásso, sério, só não se torne aquelas pessoas que julgam essas ações, porque elas parecem aqueles professores velhos que insistem que a gente entregue trabalho manuscrito no século XXI.

- Prof, posso fazer a capa no word?
- Não. 
- Mas prof, eu adoro wordart.
- Eu falei à mão. E desliga esse celular.

Vamo parar de se achar diferentão só porque atualiza as redes uma vez no ano, porque a caralha do vídeo inspirador que ceis acham bonito e viram no YouTube deu um trabalho da porra pra editar, e não foi tão natural como a luz do dia. Parafraseando Charlie Brown sim porque aqui é 013. 

Tá liberado escrever textão no face, gravar vlog, postar fotografias de uma viagem que fez ou mesmo de você tomando café num dia tedioso com aquela frase do Caio Fernando Abreu, se você tá afim. Como a gente lida com isso é algo que temos que trabalhar diariamente, pra não ficar em crise por achar a grama do vizinho sempre mais verdinha. Tá tudo certo não querer compartilhar nada, só não torra a paciência de quem curte postar umas musiquinha maneira na timeline. 

22 de setembro de 2016

Presos que Menstruam

"Este livro é uma colcha de retalhos costurada ao longo de quatro anos. A linha e a agulha são entrevistas, visitas aos presídios, livros, artigos, estudos e processos judiciais de minhas personagens. O tecido é composto por trechos de vida de sete mulheres com quem me encontrei diversas vezes e de algumas outras detentas que cruzaram o meu caminho de forma passageira". 
(Nana Queiroz)

Pedi esse livro emprestado a uma amiga, depois que a professora de Redação III solicitou que a gente lesse um livro-reportagem. Após me emprestar, ela logo me alertou que não seria uma leitura leve e que me renderia alguns embrulhos no estômago. Pensei comigo mesma que talvez não fosse tão pesado assim e que eu conseguiria ler numa boa, afinal era só mais um trabalho pra faculdade. Eu estava muito enganada.

Safira, Gardênia, Júlia, Vera, Camila, Glicéria e Marcela. Em capítulos curtos, acompanhamos a história dessas 7 mulheres, que foram presas nas mais variadas circunstâncias. Através da narrativa realista da Nana Queiroz, que não deixa passar nenhum vício de linguagem, nem expressão fora da norma culta da língua, nos sentimos próximos às personagens, que parecem contar suas histórias diretamente pra gente, numa conversa informal. Conhecemos não só suas vidas na prisão, mas os motivos que a fizeram parar ali e como suas vidas eram antes de tudo isso.


Logo no começo, um dos momentos que mais me marcaram foi a história de Safira. Ao 14 anos, transou com um homem mais velho e foi expulsa de casa pela mãe. Passou a viver com o homem, que descobriu ser muito violento, e com ele teve um filho. Depois de algumas idas e vindas, teve outro filho com ele e, no fim das contas, teve que cuidar das duas crianças sozinha. Procurando um jeito de sustentá-los, conseguiu um emprego num supermercado de bairro nobre. Pediu pra que a mãe cuidasse do caçula, mas tendo o pedido negado, foi atrás da irmã, que lhe cobrava 100 reais para ficar com a criança, enquanto o mais velho ficava com o pai. E eis a parte que mais me tocou:
"Safira passou a levantar todos os dias às 5 horas da manhã para empacotar as sacolas de compra da classe média. Embrulhava todos os dias coisas que tinha desejo de comer, biscoitos que adoraria levar para o filho (...)"
Uma das personagens é de classe média e universitária, mas a maioria são periféricas, com histórias de vida muito difíceis bem antes de serem presas. Pais ausentes, gravidez precoce, desestrutura familiar beirando o absurdo, abandono. O que me faz pensar em como eu sou privilegiada. De repente eu estava sendo os embrulhos que minha colega havia me alertado. 


É vergonhoso saber como o nosso sistema prisional é podre. Mulheres grávidas em trabalho de parto tendo que implorar para serem conduzidas ao hospital; mulheres mães que tem seus filhos na prisão e preferem ficar anos longe deles do que vê-los passar os primeiros seis meses de vida em um verdadeiro inferno; tratamentos .Em meio a todo esse caos, as mulheres se tornam cada vez mais fortes, não só para enfrentar a própria realidade, mas porque força, pra elas, era uma questão de sobrevivência.

A autora estabelece uma relação entre o companheirismo dos homens com suas esposas/namoradas e vice versa. Muitas mulheres foram presas por serem cúmplices de seus companheiros. Algumas participaram ativamente dos crimes, mas boa parte simplesmente estavam no lugar errado, na hora errada. Quando os homens são presos, suas companheiras permanecem fieis, submetendo-se a situações constrangedoras nos dias de visita, aguardando até o dia em que eles sairão de lá. Ao contrário, quando as mulheres são presas, as visitas de seus amados vão se tornando cada vez mais escassas e um dia deixam de existir, pois eles acabam se envolvendo com outras mulheres lá fora. O dia de visita é um dos mais bonitos e esperados na vida de muitas dessas mulheres e saber dessa realdade me doeu muito.


No vídeo acima, Nana Queiroz fala um pouco sobre o livro e eu vou deixá-lo como uma forma de terminar esse texto. 

ISBN:  8501103675
Editora: Record
Páginas: 294
★★★★

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