Recent Posts

domingo, 29 de abril de 2012

Exogenesis: Sinfonia, Pt. 2: Polinização Cruzada

para uma nota musical, clique em pão de queijo


Olho ao redor, assustado com o que me cerca. Meus olhos ofuscam-se diante das luzes, trêmulos, cheios d'água. Encolho-me junto ao canto da parede, deixando apenas uma fresta entre os braços e os joelhos, vigiando o que passa por mim, com medo.

"Faça seu último pedido...", pronuncia algo distante.

Levanto a cabeça, receoso, procurando pela voz. Desdobro minhas pernas e olho adiante, esticando o pescoço. Viro-me para a esquerda e depois para a direita, inutilmente. Onde estava o dono daquelas palavras? Poderia ele acolher-me?

É tão grande a vontade de encontrá-lo que já faço disso o meu próprio pedido. Depois, quem sabe, eu imploraria por um confortável abraço e tudo estaria feito. Todos os medos partiriam com o vento e, através do mesmo ar em movimento, sentimentos bons me dominariam. A paz reinaria sobre minh'alma, finalmente.

Começo a andar pela multidão, procurando pela origem da voz. No início, passos lentos; depois, percorrendo os longos diâmetros da calçada de piso circular. Corro, esbarrando em todo mundo, com pressa, ofegante. Canso.

Como pôde enganar-me tal voz depois de tanta desilusão? Como? Não existe graça em situações assim. Eu acreditei que superaria tudo, que sairia daquele cantinho... Espere. Eu saí. Ora essa, que grande solidária foi aquela voz... Mas, já que não encontrei seu dono, onde será que ela está?

Desprendo-me da cela acolhedora; aprendo a fazer meu próprio ar, minha própria água, meu próprio alimento.

A voz era minha, que gritava contra meus medos, explodindo em cores... Fazendo-me capaz.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

(Pós)moderno

para obter uma nota musical, clique em torta de morango

Um dos problemas que lhe pregavam a vida era agir com o coração. Vez ou outra, a razão chegava sem avisar e puxava-lhe os sentimentos pela gola da camiseta, empurrando-os porta afora. 



"Sumam, perda de tempo!", dizia a senhora razão. "Não há mais lugar para vocês nesse mundo..."



sábado, 21 de abril de 2012

Exogenesis: Sinfonia, Pt. 1: Abertura

Tecle a nota musical e sinta... apenas sinta.

Quem sou?
Onde estou?


Sobrevivo junto a antíteses que se firmam com imensa convicção dentro de mim, corrompendo os fios de verdade que ainda me restam. O sim não mais virá; o não tampouco. Apenas a sensação de que estou sendo levada, em meio à inércia que me domina, ao fundo... Sinto que deverei aprender como fugir desse infinito contraditório que ora me faz sorrir, ora me faz chorar, sempre afundando. [Vejo uma luz]. Preparo-me para resistir ao abismo sem fim, acreditando que o final haverá de chegar, dentro de minha realidade utópica e, quem sabe, impossível.

Nasci, enfim.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Cantando por absolvição

Não desejo apreciar a solidão futura, junto às minhas brilhantes e caras jóias. Não quero me olhar ao espelho e encarar uma forma vazia de ser-humano, que consome migalhas do que conquistou durante a vida, enquanto lutava para que as atuais migalhas fossem vistas como pães inteiros.
Quero estampar meu sorriso nos corações de quem amo. Quero que a minha imagem seja lembrada como um pássaro que construiu sua alegria e não como um pássaro que absorveu o que desejava e voou para longe. Não desejo ser um vulto dessa desunião constante a qual todos nós enfrentamos.
O gráfico da minha vida pode não ser constante, como nenhum jamais foi... Mas serei o agente que tentará mantê-lo acima do eixo das abscissas e à direita da reta das ordenadas, para que somente energias positivas me dominem.
Não quero cantar por absolvição, derrubando lágrimas ao lembrar do que fora deixado para trás à medida em que eu subia os degraus da estabilidade social e despencava diante da firmeza emocional. E se for para cantar, que não seja uma canção de arrependimento, nem de perdas que causei. Que seja alegre. Que seja bonita. Que seja viva.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...