A chuva.

6 de janeiro de 2010

Ela fugia da chuva,
os carros passavam rapidamente,
as luzes amarelavam-se,
ela fugia da chuva,
as pessoas corriam apressadamente,
as poças d'água refletiam o sol coberto pelas nuvens,
o sol coberto pelas nuvens refletia nos olhos das pessoas que corriam apressadamente,
ela fugia da chuva,
o cachorro latia,
o bentevi cantarolava,
o padeiro o pão fazia,
ela fugia da chuva,
o carteiro cruzava as ruas com cartas em suas mãos,
as cartas amarrotavam-se nas mãos do carteiro,
o mendigo cantava uma música,
ela fugia da chuva,
as árvores enfeitavam a praça,
na praça os velhinhos jogavam xadrez,
as crianças brincavam,
ela fugia da chuva,
o sol já havia partido,
as pessoas já dormiam,
a música parara,
os carros já não andavam,
o xadrez havia chegado ao final,

as crianças já haviam parado com a brincadeira,
a praça estava vazia,
as luzes estavam apagadas,
o mendigo já não cantava mais,
as cartas já estavam entregues,
o carteiro já terminara o trabalho,
o padeiro fechara a padaria,
os pães já tinham sido vendidos,
o cachorro não latia mais,
o bentevi não cantarolava,
as poças d'água escureciam-se.

E ela não fugia mais da chuva,
mas era tarde demais,
pois a chuva nunca caiu
e o belo dia, ela não viu.

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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