E as notas musicais perdem sua força.

24 de abril de 2010

Texto para Blorkutando
• Tema - 83ª semana

"Música e Contestação"


Antigamente, o ponto de vista dos jovens em relação à política era muito mais aguçado e diretamente refletido através de suas roupas e, principalmente, da música que ouviam. Surgia então o movimento denominado Contracultura, uma espécie de revolta entre a juventude da década de 60, marcada pelo comportamento anti-social e um estilo de vida alternativo, voltado a opiniões contrárias as que eram aceitas e consideradas certas pela sociedade naquela época. Foi justamente nessa época que o rock'n' roll ganhou forças sobre a mente juvenil, provocando uma reviravolta imensa contra a cultura conservadora, defendida até então. Bandas como Jefferson Airplane, Rolling Stones e, sem dúvidas, os Beatles, rotuladas como rock psicodélico, conquistaram os corações e fizeram a mente de vários jovens da época, especialmente a dos Hippies.

Portanto, a política sempre foi um grande espelho para os músicos a artistas, até meados da década de 90. A Guerra do Vietnã ou até mesmo, o Brasil, com a ditadura militar, foram grandes influências para a composição de muitas músicas, não só dentro do rock'n'roll, como no blues e no folk. No exterior, Bob Dylan compunha canções consideradas "de protesto", embora ele não aceitasse esse rótulo. Já no Brasil, a influência da política dentro do mundo musical é claramente notada através de figuras ilustres que vão desde Caetano Veloso até Renato Russo.


Atualmente, os jovens "largaram a política de mão". Não se interessam e não buscam conhecer a fundo o governo de seu país, muito menos seus direitos. A luta pelos jovens da época da ditadura, hoje adultos, foi deixada para trás, junto com a história do país. Hoje em dia, os jovens estão cada vez mais sendo "alienados" à cultura estrangeira, abandonando seus interesses para com a sociedade. Quanto à parcela dos adolescentes informados da situação política de seus determinados países é desprezível.


Com isso, a música perde seu valor. Devido ao capitalismo, por exemplo, as novas gerações da música estão muito mais ligadas com a venda dos seus cds - o lucro - do que com a vontade de expressar-se diante da sociedade atual. Muitas bandas, cantores e artistas atuais, buscam a felicidade do seu público alvo. No carnaval, por exemplo, isso é enxergado facilmente. Até mesmo no rock, os jovens estão muito mais preocupados em seguir modinhas e a vestir o que o ídolo veste, do que em contestar as letras e ouvir realmente o que é cantado.

Por fim, vale ressaltar que, apesar de certos artistas criarem canções visando o lucro e, em geral, a felicidade do público alvo em dançá-las ou cantá-las, ainda existe uma parcela que demonstra sua preocupação social e política, representada principalmente através do hip hop. Portanto, não devemos ter uma visão simplista em relação a nova geração musical que nos cerca.

Se a música atual está perdendo seu valor em grande parte da população, não é culpa dos jovens. Eles, por sua vez, no decorrer das décadas foram influenciados diretamente pela política de seus determinados países ou, em muitos casos, da visão do mundo em geral. Se, atualmente, existe uma importância involuntária em músicas comerciais e, muitas vezes, estrangeiras, é porque os jovens acabaram sofrendo uma desilusão em relação à paz, à democracia realmente verdadeira dentro da política e ao fim da desigualdade social.



Com o tempo, o gato se cansa de correr atrás do rato e a esposa incompreendida se revolta e abandona a busca pela mudança do marido viciado em cerveja e futebol. Com a música não foi diferente. Só lhe pergunto uma coisa: Se a situação dos jovens em relação à música está tão distante, comparando com



algumas décadas atrás, como será que ela vai ser daqui a duas décadas? Eis a questão.



Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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