"Isso é um absurdo, não é?"

1 de abril de 2010

"Quer me ver irritada?", comentou minha avó, dando um gole no café, "É só me fazer comprar coisas em mercados desorganizados".


Antes de começar a narrar a sua pequena aventura, eu já estava rindo.

"Eu fui direto à seção de sopas e não achei o creme de cebola. Menina!", exclamou com uma feição brava "Aquilo estava uma bagunça! Tudo revirado, fora do lugar! Suco no lugar de sopa, sopa no lugar de suco..."

Eu continuei rindo, olhando pro caderno, imaginando a cena.

"Fiquei indignada, né?! Não me conformei e fui perguntar onde estava o creme de cebola ao moço que trabalha lá... aquele baixinho, lembra?", perguntou-me esticando a mão direita para baixo, "Sabe o que ele respondeu?"

Abanei a cabeça negativamente.

"Disse para eu procurar lá 'no meio daquela prateleira' que eu acharia! Isso é um absurdo, não é?"

Concordei pra não fazer feio, repetindo que era um absurdo.

"Ah, mas eu não aguentei! Eu estiquei meus braços lá no fundo da prateleira, baguncei tudo mais ainda, enfiei a cabeça naquela bagunça, deixando tudo mais fora do lugar do que já estava."

"Achou o creme de cebola?", perguntei curiosa, tirando os olhos do caderno e os voltando para a minha avó, que narrava a cena e dramatizava junto, como num teatro.

"Ô se achei!", respondeu orgulhosa de si mesma, "E na saída eu ainda mostrei os dois pacotes pra ele e, depois, apontei pra bagunça que eu tinha feito".

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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