O grande dia.

29 de abril de 2010


Bloínquês

6ª edição opinativa

O tema desta quinzena é ''2012''


Dona Gertrudes vive preocupada com o dia em que ninguém mais viverá. Passa as manhãs olhando pela janela, descontente. Vive triste, em seu canto, com seu gato de estimação, sem perspectivas para o futuro.

Joãozinho acabou de nascer, mas todos dizem que não terá nem três anos de vida, pois o mundo acabará antes. Ele ainda não fala, não lê, nem escreve, mas sente o pessimismo rondando por entre todos a sua volta.

Maria Joana tem dezesseis anos e é muito inteligente. Sonha em se tornar médica, mas não se motiva a estudar, pois morrerá antes de prestar vestibular.

Air tem quarenta e sete anos e sempre quis dar a volta ao mundo. Hoje, com uma boa profissão, pretende realizar seu sonho e voltar depois de 2012 e... Espera, não vai dar. O mundo vai acabar antes do final de sua viagem e ele deseja muito estar perto de seus familiares quando o fim chegar...

Juca é um jovem menino que está a um passo do mundo do crime. Não tem opções... Na verdade, não sabe que tem opções. Bem, mesmo se tivesse, não daria tempo de pensar o que fazer, pois o mundo vai acabar, não é mesmo?


Esses dias eu vi a D. Gertrudes lavando sua calçada com uma mangueira. Eis que surgiu Maria Joana, apressada para a prova a qual não tinha a mínima vontade de fazer, e escorregou na calçada de Dona Gertrudes. Estressada, a menina jogou a latinha de refrigerante que carregava consigo no meio do asfalto, justo no momento em que a mãe de Joãozinho passeava com ele. A lata de refrigerante enguiçou na roda do carrinho e o bebê pulou para fora, tendo a vida salva por Air, que caminhava por ali naquele momento. Logo depois dos agradecimentos feitos pela mãe do bebê, Air, muito feliz com a boa ação, acendeu um cigarro e voltou para casa com um sorriso no rosto. De repente, um vulto negro passou por entre os prédios e atingiu o peito do herói. Era uma bala perdida, provida da arma de um policial, ao tentar render Juca, o pobre menino que tentava assaltar Dona Gertrudes, que ainda lavava a calçada com a mangueira.


Errr... pensando bem, acho que o mundo não terá uma data prevista para acabar. Ele já está acabando... e nós somos os seus destruidores.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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