A grande polêmica.

7 de maio de 2010

2º Edição @ Tribunal How deal

Pulseira do sexo: chegou ao extremo?

Você é contra ou a favor das crianças continuarem usando as pulseiras?


A sociedade brasileira é antiquada. Os pais vivem com o controle remoto na mão enquanto assistem a novela das oito com seus filhos e, caso haja alguma insinuação de sexo, mudam de canal. Meu pai fazia isso. Ele devia achar que eu não via e que, através daqueles botões, ele tamparia o mundo real de mim. Mas eu já tinha seis anos de idade e sabia o que estava acontecendo. Por conta dessas e de outras atitudes semelhantes, passei a minha infância toda vendo o sexo como “pecado”. Se aquilo era tão “errado”, por que os atores daquela novela estavam fazendo?

Porém, as crianças são curiosas. Na escola, por exemplo, não existe um controle remoto para cobrir a verdade dos olhos delas. Por isso é, sem dúvidas, um dos lugares onde as crianças têm acesso a determinados assuntos e isso ocorre através dos seus colegas. Lembro-me que desde a primeira série, os alunos já conversavam sobre sexo, por exemplo. Na terceira série, cheguei a ver beijos entre crianças da mesma idade que eu tinha e eu me assustava, pois não eram “selinhos”, como até então, as nossas mães brincavam naquele famoso “salada mista”. Se há dez anos atrás esses assuntos eram tratados dessa maneira, como será que eles estão sendo tratados atualmente, com a forte influência da mídia sobre as crianças? Será que tudo o que elas comentam entre si vêm de suas casas ou do computador, da música e da televisão?

Agora eu te pergunto: a culpa é mesmo da escola? Está claro que não. A prova mais concreta disso é que eu mesma já vivi e posso confirmar. Basta você acreditar ou não.

Essa onda de “pulseiras do sexo” é puro modismo. Nós vivemos numa sociedade que segue modas e estas são passageiras. Assim como antigamente as roupas curtas usadas por mulheres eram consideradas peças que levavam ao abuso sexual, por exemplo, as pulseiras do sexo são praticamente a mesma coisa e, futuramente, será outra e assim sucessivamente.

Portanto, os pais que não têm o habito de conversar com os seus filhos sobre o mundo real não têm direito de estar a favor da proibição do uso dessas pulseiras, pois no fundo são eles os culpados por fazer com que seus filhos cresçam sabendo que sexo é uma coisa proibida. As crianças, como eu citei, têm uma criatividade aguçada e isso é muito mais presente no que é proibido. Se proíbem uma criança de comer pizza de queijo, ela vai lutar para comer tal prato até conseguir o que deseja. Até mesmo no ambiente escolar, trocar figurinhas sempre foi algo proibido e sempre tinha alguém que o fazia. Com isso, o ato de proibir as crianças de usarem essas pulseiras definitivamente não é o melhor método para acabar com a violência ou esconder a verdade dos seus olhos.

Em relação ao caso do abuso sexual através do uso dessas pulseiras, considero uma forma de “concretização” do motivo pelo qual levou um sujeito a estuprar e matar uma menina. A violência está ao nosso lado independentemente de pulseira. O fato de uma moça estar usando uma pulseira desse tipo só serve como explicação para o crime, até porque, a repressão sexual sobre a mulher no nosso país não depende de uma simples pulseirinha colorida.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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