Para uma antiga professora.

26 de maio de 2010

Eu estudei em uma escola municipal daqui de Santos, da sexta à oitava série. Como muitas escolas públicas, não era o lugar ideal para pensar em ser algo na vida. Eu, modéstia parte, sempre gostei muito de estudar, portanto não me animava em acordar cedo para ir àquele lugar, cheio de alunos sem interesses, querendo atirar aviõezinhos de papel no ventilador pra ver se eles voavam mais alto... Era, no mínimo, desanimador.

Porém, assim como sempre há uma agulha no meio do palheiro, ou um bom político em Brasília, nessa escola existiram professores que realmente foram excelentes. Tais professores me motivaram a continuar estudando e a querer ser alguém quando eu crescesse.

Lembro-me de minha professora de História, da sexta série, que chegava na sala como um coronel. Antes de seu primeiro passo para dentro da classe, todos já corriam para os seus devidos lugares e tratavam de abrir os livros sobre as mesas. Foi nessa época que eu aprendi o Renascimento e as Reformas Religiosas pela primeira vez. Lembro como se fosse ontem, de cada palavra que ela citou, de cada mapa que ela desenhou na lousa, de cada comentário que ela fez. Carrego na memória um grande conteúdo sobre esses temas e continuo gostando de estudá-los.

O tempo passou e eu mudei de escola, mas meu irmão mais novo continuou estudando lá. Ontem, ao voltar da aula, chegou na cozinha e me disse:

"Manie, sabe a professora de História que deu aula pra você?"
"Hm...", respondi, lavando a louça.
"Ela morreu..."

Não vou dizer que quebrei todos os pratos e saí correndo pela cidade em prantos, pois não foi isso que aconteceu. Eu simplesmente parei o que estava fazendo e olhei bem pra ele, perguntei se era verdade. Confirmada a minha dúvida, empalideci. Eu a tinha visto na rua, semana passada, mas passei despercebido. Ainda comentei com uma amiga "Olha, aquela foi minha professora de história da sexta série". Ela ainda me olhou, quando ouviu o comentário, mas não deve ter se lembrado de mim.

Fiquei meio triste, sei lá. Foi muito estranho. Ainda não caiu a ficha.
Hoje, na minha atual aula de História, entramos no capítulo de Reformas Religiosas. Eu ainda lembro-me dela falando sobre Lutero, como ninguém. Fiquei a aula inteira viajando, lembrando dela. Fiquei um pouco desanimada, mas logo fiquei melhor, quando o sinal bateu.

Professores bons, ficam na memória; professores queridos, ficam no coração.


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Pra dor de cabeça passar: Carla Bruni - Quelqu'un m'a dit

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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