Pequenos tristes olhos.

27 de junho de 2010

Texto para Bloínquês
23ª edição visual
Tema: essa foto


Deitada em seu sofá desarrumado, Luíza dirigia seu controle remoto, procurando algo na tv que não a fizesse chorar. Passou por filmes, novelas, seriados... até desenhos animados não seguiam suas devidas funções de animar o telespectador.

Levantou do sofá. Cabeça baixa. Olhos semi-abertos. Longos cabelos bagunçados e umidos pelas gotas de lágrimas de caiam sobre sua face.

Tropeçou em uma caneca de chá e, posteriormente, em uma enorme pilha de livros que havia pelo carpete empoeirado. Olhou para os porta-retratos sobre sua estante. Sorriu. Chorou novamente.

Tossiu. Esfregou suas mãos, cobertas por seu casaco enorme, no nariz. Caminhou em direção à janela. Grande janela era aquela que deixava a cidade inteira entrar em seu apartamento.

Cidade de São Paulo, agosto de 2013. Nove e meia pós-meio dia. Os carros ainda perambulavam pelas grandes avenidas paulistas. As luzes dos prédios já iluminavam o asfalto e as pessoas não se cansavam de continuar caminhando pelas calçadas.

O frio aumentou. Encolheu-se e continuou a observar cada detalhe que deixava aquela cidade ainda mais movimentada. Os out-doors coloridos, as buzinas enfurecidas, tudo.

Luíza, quase formada em medicina, sempre quis estar ali, bem ali, na janela de um apartamento situado na capital do estado, olhando o movimento. Porém, nunca imaginou que poderia sofrer tanto quanto o fazia. Estava se sentindo sozinha. Sentia falta dos seus amigos, dos seus pais. Precisava do carinho que tinha em sua antiga casa, das risadas que dava em seu colégio, do focinho de seu cachorro atrás da porta, esperando por ela.

De repente o seu celular tocou. Um alarme para lembrar-se de preparar o seminário da faculdade fez com que se distanciasse da janela, deixando a grande cidade sem seus pequenos tristes olhos.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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