Naqueles tempos

5 de junho de 2010

Um texto que eu escrevi quando estudava em uma escola pública daqui de Santos, sem alterações, nem correções.


12 de junho de 2008.


Manhã fria; sem aula de matemática, pois a professora faltou. Não agüento mais tudo isso. Eu quero ir pra casa desenhar, ouvir música, ler, comer purê de batata no almoço, beber capuccino, ver filme de cobertor - longe desse ventilador ligado sem necessidade -, escrever, cantar desafinado bem alto, xingar todo mundo e rir de não ser ouvida. Não agüento mais esse lugar...

É impressionante como as pessoas que aqui estudam são tão infantis, sem um pingo de maturidade e inteligência. Os rotulados nerds - na minha classe, são chamados assim só porque passam a resposta da prova de matemática para os vida loka do fundão; mas não passam de idiotas que passam o dia todo trocando cards de Yu-Gi-Oh e jogando Super Nintendo - acabaram de atacar as cadeiras e as mesas uns nos outros junto com seus cards. Vários deles estão brincando de se espancar, feito crianças de cinco ou seis aninhos de idade. O fundão, a 'ala leste', a 'ala nordeste, a 'ala sul' e 'ala centro-oeste' se uniram numa zona só, causando uma imensa festa ridícula aqui dentro. Os meninos que se consideram 'Os metaleiros do mau_666' por conhecerem Dragonforce - que por sinal, até meu irmão de 10 anos consegue passar no difícil, no Guitar Hero; e não há outro lugar do mundo para esses idiotas terem conhecido essa banda chata pra caralho - começaram a simular uma espécia de roda punk com aquele 'rebolation psy trance vida loka é nóis' - desculpem-me, mas não há coisa mais ridícula -, no fundo da classe. Um dos alunos acabou de destruir um livro didático e, nesse momento, o inspetor de alunos entrou aqui e perguntou quem fez isso com o livro. Ele não respondeu. O inspetor perguntou " Por isso que eu digo... Os alunos deveriam pagar pelo livro, pois só aí tomariam conta e não fariam essas coisas ", e aquele aluno comentou: " Minha mãe paga imposto, portanto, ela que paga esse livro e eu faço o que eu quiser com ele ". Meu, meus pais também pagam imposto, eaí? Nem por isso eles saem por aí pagando de 'senhor e senhora Smith' violando patrimônio público nem livros de Inglês.

Um outro aluno, que antes - na aula de Lingua Portuguesa - ria feito idiota, por motivos mais idiotas ainda, atrapalhando a aula de propósito, agora está na porta da classe chorando e falando que ele não atirou nenhuma cadeira nem mesa. Mentira, eu o vi atirando cadeira, mesa, lata de lixo, material escolar e tudo mais.

A vice-diretora entrou aqui há menos de um minuto, para dar-nos uma bela de uma bronca. Ela citou: " A escola iria ao Hopi Hari no final do ano, mas acho que vocês não estão merecendo ". Se eu fosse ela, acharia muito mais digno substituir a segunda oração - subordinada, lembrando! rs - pela seguinte: "... mas não vai mais haver passeio ao Hopi Hari, pois é capaz de vocês começarem a atacar cadeiras para fora da Roda Gigante ou fazer um "aleluia de cards de Yu-Gi-Oh" e todos se soltarem das travas para buscar, daí cairiam todos de lá de cima, junto com seus Guitar Heroes, cintos de estrelinhas de cinco reais, livros de inglês, latas de lixo e um bando de bolinhas de papel - pra ficar melhor.

Que vá tudo que tem dentro dessa classe pro inferno, cansei!

Antes de terminar isso aqui, gostaria de deixar algumas observações:
PS ¹ - Joãozinho, enfie esse cinto de estrelinhas na bunda ouvindo Dragonforce no último volume e tocando guitarra. Você não é o 'fodão'? Pois bem, prove isso, seu idiota!
PS² - Pedrinho, engula esse livro do Harry Potter e vá pagar de intelectual na puta-que-pariu! - lembrando que, Pedrinho me obedeceu e foi pra puta-que-pariu, literalmente.
PS³ - Joaninha, "desdobre' essas blusa do uniforme e para de empinar essa bunda feia e gorda.
PS [4] - último - Sigam o belo exemplo de Pedrinho e vão todos para a puta-que-pariu porque eu CANSEI dessa classe, cansei de vocês, cansei dessa escola, das aulas, das sextas feiras entediantes, da diretora que tá de férias, dos professores faltantes e sem um pingo de autoridade. CANSEEEEEEI!

Sem nenhum pingo de respeito e amor,
Manie.

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

Você poderá gostar também:

2 comentário (s)