Ônibus, a alegria da minha vida.

28 de julho de 2010

Esses dias eu li uma propaganda da companhia rodoviária da minha cidade que dizia o seguinte: No ônibus a diversão é garantida.

(é pra rir, né?)

Durante o nosso dia-a-dia acontecem várias coisas bizarras, tensas e estranhas. Um bom lugar para tudo isso acontecer é no ônibus.

Eu pego ônibus lotado todo dia pra ir pra escola e confesso que já sei lidar com algumas situações, como ser esmagada, demorar uma eternidade pra atravessar a roleta, passar o cartão escolar e dar ''saldo insuficiente'' na maquininha, perder o ponto... enfim. Porém, existem outras coisas que acontecem lá dentro que eu aida não sei enfrentar.

Lugar do idoso é uma coisa que muitos de nós, jovens, passamos longe. Mesmo assim, existem senhoras que insistem em nos perseguir. Parece muito fácil saber agir em situações que envolvem velhinhas + ônibus lotado, mas não é! Pois bem, existem três tipos de velhinhas:

1) velhinhas que não sabem que são velhinhas: "Tá me chamando de velha? Nem pensa em levantar essa bunda daí pra eu sentar, tá me ouvindo?"

2) velhinhas que adoram puxar assunto: "Ai, sabe, esse lugarzinho aí na janela deve ser tão confortável, porque bate um ventinho no rosto, né? tsc tsc."

3) velhinhas que são bem diretas: "Tu não tá vendo que eu sou velha, cacete? Vai, vai, levanta daí e seja educada!!!"

Justamente por isso que eu nunca sei qual dos tipos de velhinha eu estarei prestes a enfrentar. Por esse motivo, quando avisto alguma entrando no ônibus, eu coloco um óculos escuro e/ou finjo que estou dormindo.

Outra coisa tensa dentro do ônibus que me irrita são as criaturas que amam funk e acham que todo mundo que tá lá dentro também vai sair requebrando até o chão-chão-chão-chão com eles. Sempre tem um ser humano que insiste em ouvir esse tipo de ''música'' no último volume SEM fone! O que custa usar o fone? SOCORRO!

Também existe as pessoas que resolvem levar a criançada pra curtir um sol na praia. Ahhh, que divertido! (isso foi irônico, rs). "Vem Gumercindo, Jesuiscrêide, Francisquina... Vamo, vamo... Ei, perai, motorista, o Robervildo tem 5 anos... anda Robervildo, passa por baixo da roleta... Vamo logo!!" E por aí vai a pequena lista de sete, oito... quinze filhos...

Ah, outro item: sempre tem alguém com cara de psico que entra no ônibus e começa a berrar lá da frente: "senhores e senhoras, boa tarde... meu nome é Maicon, tenho 27 anos, poderia estar roubando, assaltando, matando, comendo tua mãe, mas eu tô aqui pra pedir um auxilio, uma ajuda, um ato de caridade (todos esses podem ser traduzidos por ''grana'') pra vocês, pois faço parte de um grupo de..." e por aí vai.

Você está sentado no meio da galera, com cara de paisagem, daí vem ele esticando o braço, mas você não tem dinheiro. Então, você estica um sorriso solidário e balança a cabeça negativamente. Tudo bem, até aí.

O problema é quando esse ser humano é surdo-mudo. Primeiramente, ele chega em silêncio (jura, Manie?) lá na frente e começa a entregar um papel pra cada passageiro. Geralmente, esse papel é pequeno e com uma fonte arial número 72. "Sofri um acidente e necessito de sua colaboração para comprar arroz e feijão para os meus filhos, obrigada". Beleza, de duas, uma: ou você vai fazer um gesto solidário com a cabeça negativamente, ou vai caçar algum trocadinho pra ajudar. Eu, muito solidária, resolvi fazer uma boa ação do dia e dar dois reais. Acontece que o cara foi lá pra trás, recolheu o papelzinho de todo mundo e esqueceu do meu. Quando eu olhei pra porta, ele tava descendo, daí eu pensei ''Ih, fudeu! Tio, tio!! opa, ele é surdo..." Daí eu comecei a fazer umas dancinhas lá da frente, rebolei loucamente e ele não me viu. Ganhei uma dúzia de pessoas me olhando assustadas e um papel amassado com uma mensagem emocionante em fonte arial 72.


A diversão é garantida, falaê.

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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