Mais um fracassado.

2 de novembro de 2010

Texto para Bloínquês

Edição visual
Tema: essa foto

(Ouvir a minha inspiração que fez com que eu criasse mais esse texto).

"Todas estas rugas no meu rosto aparecendo.
O passado se foi,
Passou como o crepúsculo à aurora.
Não é assim?
Todo mundo tem que pagar suas dívidas na vida."


É tudo tão estranho. Olho para trás e vejo a quantidade de tempo que desperdicei fazendo coisas as quais não considero que tenham servido para alguma coisa. Ah, sim, serviram para algo: fazer com que eu me tornasse a pessoa mais fracassada desse mundo.
É tudo tão estranho. As roupas que eu visto, as músicas que eu ouço, os sapatos que eu calço... nada mudou durante todos esses anos. Vinte e poucos anos jogados no lixo. Ajo como um adolescente de quinze anos, inexperiente, sem noção do mundo cruel que está prestes a devorá-lo fora da casa de seus pais. Sinto-me um trapo velho coberto por um tecido fino e novo.
É tudo tão estranho. A comida nojenta mastigada pelos meus dentes podres e a saúde ausente em meu corpo. Estou fraco. O oxigênio que tenta purificar um pobre sofredor sai descontente através das minhas narinas, carregando todo o resto da minha felicidade.
É tudo tão estranho. A fumaça do cigarro que corrói meu pulmão e que preenche o vazio do meu coração já não satisfaz mais a minha vontade de viver. Nem todo o álcool que bebi, nem todas as drogas que usei, nem mesmo os cigarros que fumei me fazem querer viver.
É tudo tão estranho... a minha vida, as pessoas que me cercam... eu.
Olho no espelho e vejo as rugas invadindo meu rosto que, durante tanto tempo, expressou minha rebeldia, através de todo aquele ar melancólico de um guitarrista abandonado. Vejo meu cabelo bagunçado e minha barba por fazer. Meus olhos cansados expressando o cansaço de ser mais um ninguém.
O mundo não precisa de mais um ninguém para completá-lo. Existem pessoas melhores para fazerem dele um lugar melhor.
Um tiro certamente acabará com toda essa angústia e eu finalmente poderei livrar-me de todo esse peso de ser, simplesmente, mais um fracassado.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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