Platônico.

6 de dezembro de 2010


O pintor de quadros do Gonzaga.


Há mais de dois anos, quando passear no Gonzaga era coisa de segunda-feira, passei a observar um homenzinho de sorriso simpático e olhar miudinho. Usava chapéu, óculos redondos e sapatos sociais. Estava sempre de perninhas cruzadas, sentado em uma cadeira de praia, no meio da galeria. Pintava retratos fantásticos e os expunha em quadros, ao seu lado, acompanhando os olhares curiosos dos que por ele passavam. Uma vez ele me viu e sorriu... Eu sorri de volta.




O livreiro fofi.

Nas férias de janeiro, íamos eu e mais um amigo paquerá-lo, naquela livraria de luzes amareladas e músicas agradáveis. Pegávamos sempre o mesmos livros e sentávamos nos mesmos lugares, mas nunca prestávamos atenção no que líamos. Estávamos lá somente para vê-lo andar pela livraria, a empilhar livros, a atender clientes e a nos observar com um olhar suspeito de quem suspeita de ladrões de livros. Ele era fofíssimo com seus cachinhos e óculos quadradinhos... Esses dias eu passei por lá, mas a livraria estava fechada... para sempre.




O menino do ponto de ônibus.

Vi-o pela primeira vez no ponto de ônibus, de cabelos curtinhos, com uma mochila nas costas. Dobrava o joelho e encostava-se na parede, apoiando o pé sobre ela. Nesse dia, pegamos o mesmo ônibus. O observei de longe. Estava pensativo... hm. Os dias se passaram, o ano acabou. Acho que se formara no terceiro ano e, por isso, eu passei um bom tempo sem vê-lo. De repente, o encontrei no mesmo ponto de ônibus, dessa vez de cabelos cacheados... já não estava tão pensativo.




Todos eles são miragens de filmes europeus. Todos com suas fofuras diferentes, que me cativam e que fazem meus olhinhos brilharem ao vê-los. Não sei nada sobre suas vidas, mas posso descobrir apenas os observando que são, simplesmente, fofis. Não, não quero conhecê-los... nunca... Perderia o encanto. Gosto de vê-los assim, de longe... essa é a graça.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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