Da louça à papelada

20 de fevereiro de 2011



A marginalização da mulher sempre esteve aparente dentro das sociedades, desde os primórdios da civilização. O papel do homem sempre esteve acima de seu papel dentro de um determinado grupo humano e a família, durante muito tempo, foi protegida pela força monetária proveniente - somente - da figura do pai. 


No entanto, desde o início do século XX, as mulheres vêm reivindicando seus papéis antiquados e entrando cada vez mais para o universo capitalista que, até então, pertencia somente aos homens. Durante esse começo do novo século, em 1919, um grupo de mulheres londrinas chamadas de "sufragistas" lutaram pelo direito de voto. Após cinquenta anos, houve uma espécie de revolução no patriarcalismo feita por grupos femininos que subestimavam a figura do homem, inclusive nas relações sexuais. Esses grupos eram formados pelas chamadas "lésbicas radicais". Houve, ainda, uma série de movimentos feministas que ganhavam as ruas para terem suas vozes ouvidas, como em Londres (1971), no movimento contra o concurso de Miss Mundo, voltando-se à questões de banalização da imagem feminina dentro do sistema capitalista.

Atualmente, o mercado de trabalho vem restringindo os grupos femininos: prioriza-se as mulheres solteiras, viúvas ou desquitadas. Deve-se afirmar também, que existe um pequeno número de mulheres que utilizam seus salários para adquirir produtos supérfluos os quais não são obtidos através do salário de seus maridos, por exemplo, proporcionando assim, certa independência financeira.

Apesar das conquistas femininas refletidas na sociedade atual, especialmente na ocidental, serem inúmeras e fortemente visíveis, restam ainda alguns traços que nos remetem à época pré-capitalista, quando a mulher dividia-se entre os deveres domésticos e as atividades extra-domésticas, como a atuação na produção agrícola dentro das sociedades feudais, por exemplo. Isso se dá pelo fato de a estrutura familiar conservadora - na qual a figura da mãe deve estar presente na vida dos filhos, nas atividades domésticas e no relacionamento conjugal - ainda ser persistente na maioria dos lares. Portanto, além de trabalharem fora casa, grande parte das mulheres ainda tem que administrar seu tempo para que possam exercer suas funções "familiares". Vale ressaltar que a tecnologia de eletrodomésticos vem mantendo grande amizade com essas trabalhadoras, pois fornecem uma série de facilidades para que elas possam finalizar seus trabalhos com mais rapidez e menos fadiga.

Embora os tempos da Primeira Revolução Industrial tenham sido esvaídos pela cronologia, a desigualdade salarial entre os sexos, embora amenizada, ainda existe. São poucas as mulheres no mundo que exercem altos cargos na política, na economia ou em ramos culturais, ressaltando também, os preconceitos que insistem em caminhar nessa jornada pela igualdade sexual do trabalho. Portanto, se há algumas décadas, no Brasil, seria estupefata a confirmação de uma candidata mulher à presidência nacional, devemos ter plena noção de que os movimentos feministas na história mundial foram de suma importância para que, hoje, vejamos esse fato como algo inovador, independentemente de opiniões políticas à respeito da eleita.

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2 comentário (s)

  1. Manie, sua dissertação por inteira está coesiva e coerente. Mostra uma realidade em nossa cara. Não é a primeira vez que venho aqui, mas faz um enorme tempo desde a minha última visita. Seu blog é um encanto e suas palavras, críticas e pensamentos são maravilhosos. Parabéns! Seguindo.

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  2. O seu texto ficou ótimo, como de costume. Eu sempre gostei do modo como você aborda os temas e expressa a sua opinião, poucos o fazem com tanta destreza.
    Agradeço também a visita ao meu blog e por ter gostado.

    Ah, adorei mesmo a foto!
    Grande beijo! Já sigo, espero que não se incomode.

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