Para Fina Flor

17 de fevereiro de 2011


Bonjour, mon amie

Hoje, numa manhã primaveril em pleno o outono - isso foi proposital -, cá estava eu, tomando as minhas primeiras doses de bebida negra - isso também foi proposital -, atirada no meu sofá enquanto descascava o esmalte das unhas do pé. Foi entre um gole e outro que eu parei pra assistir aos clipes da tv e passei a lembrar da época que vivíamos mais juntas que meu pâncreas e meu estômago - não sei se eles ficam perto um do outro, mas poupemos as aulinhas de anatomia por um instante -. Talvez fôssemos, realmente, como um pâncreas e um estômago, unidas de verdade.


(o clipe)


Já parou pra pensar no quanto foi fofi? Nós tínhamos o nosso próprio mundinho e ele era meio que Amélie, sabe... a gente vivia querendo ter a vida dela, mas agora eu percebo que nós tínhamos, naquela época. Conversinhas na janela, com direito a cookies ou pão na chapa - do seu forninho -, dvds alugados ao invés de trabalhos concluídos, voltinhas fotográficas pelo orquidário e centro histórico, picnic's no horto e na praia... até subir aquelas centenas de degraus malignos do Monte Serrat nós subimos pra tomar um cafézinho maroto - e conversar com Moisés, o qual trocou um papinho com a gente.

Dentre as fases dessa vidinha amelística, gosto muito de lembrar daquela em que ríamos por tudo. Por t-u-d-o. Qualquer pombinha ciscando um milhinho supimpa ou qualquer goiaba pisada era sinônimo de que deveríamos mudar nossos caminhos e ficar um bom tempo sem olhar uma para a outra. Até palavras como 'narigo' faziam a gente rir. Meu pâncreas e estômago que o diga.

Nessa pequena escola literária, também houve a fase, digamos... ultrarromântica - ou depressiva, como quiser -. Não tinha Álvares de Azevedo, mas tinha muita lágrima e nariz de palhaço. Só a gente se entendia, só a gente sabia o que era aquilo. E nós superamos, não é? Toca aí ... bateu, demorou, abalou, arrebentou... hip hip, uha (...) e assim segue a prosa que você já conhece.

Atualmente, esse mundinho se dividiu em dois. Apesar disso, sabemos que ele continua bem fofinho, do jeito que era. Conquistamos muitas coisas nesse período em que estivemos em uma única atmosfera e eu as levo comigo dentro do coração, pode ter certeza. Você foi e continua sendo essencial na minha vida, embora estejamos um tanto distantes, pois me ensinou a ver felicidade em coisinhas pequenas e a ser eu mesma. Tenho certeza que, se você não tivesse surgido na minha vidinha, eu seria completamente diferente.

Bem, chegamos ao final da cartinha. Vou ali tomar meu remédio pra dor de garganta, porque estou com uma gripe desgraçada. Vejo você no prédio branco, qualquer dia desses... - insira um coraçãozinho aqui.

Adiós, muchacha
muitos apertos em seu fígado,

Manie.

17/02/2011





(since 2006)

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

talvez você também goste:

0 comentário (s)