Um brinde à nossa igualdade!

23 de fevereiro de 2011

A sociedade do Antigo Regime - aquele à base de folhas e sem muito carboidrato - era, como todos já estão cansados de saber (e roncar em cima dos livros, se você não se interessa por esses assuntos), totalmente desigual. O clero constituía uma pequena parcela de homens os quais rezavam pela galera toda. Já a nobreza - as marias antoniettas comedoras de bolinhos coloridos, os lutadores e os que usavam calça apertadinha - era formada pela família real e por uma grande parcela de comilões e dorminhocos. É, tá faltando alguma coisa né? Sim, o terceiro estado. Esse coitado era composto pelo povão. O que ele fazia? Trabalhava loucamente e pagava uma tonelada de impostos sozinho. Portanto, a lei não era igual para todos, uma vez que as pessoas não eram consideradas iguais.

Já no Brasil, se seguíssemos sua Constituição ao pé da letra, o artigo 153 seria devidamente respeitado:

"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança, à propriedade (...)"

No entanto, todos nós já estamos cansados de saber (dessa vez, roncando de frente pra TV) que fora os preconceitos que vivenciamos diariamente, todos baseados em requisitos antiquados e ignorantes, essa coisa de "pobre trabalhador sofrefor" versus "rico_vinte apartamentos_e_ uma ferrari" ainda persiste, mesmo que tenha se passado tanto tempo. Claro que devido ao fato de vivermos em um Estado laico, não sofremos imposição religiosa como primeiro setor social. Contudo, estamos rodeados de pessoas incompetentes - sem generalizar, previamente avisando - que estão mais preocupadas com as suas viagens milionárias do que com a falta de alimentos em determinada região (deixando bem claro que o dinheiro que esses corruptos usam para pagar tais viagens sai justamente do bolso desses "camponeses" sofredores que passam horas e mais horas debaixo de sol pra pagar o pedacinho mísero de pão que lhes vêm à mesa no final do dia).

Ah, meus fofis, vale ressaltar que é muito simples resolver isso, segundo os olhos de nossos queridos representantes. Basta jogar uma comidinha básica aí pra pelo menos as famílias que passarem nas propagandas televisivas se alimentarem (e elogiarem bastante a comidinha que lhes deram, pra fazer bonito) e fazer uma grande festança durante o mês de fevereiro - ou março, tanto faz - que se torna tão fundamental para o país que delimita o início de mais um ano (falaê! suas aulas já começaram? tem certeza?). Ah, pra que se preocupar, né galera? Tenho certeza de que, enquanto estamos requebrando loucamente lá atrás do trio elétrico, os nobres de nosso país estão sentados em suas poltronas caríssimas, fumando um charutinho maroto acompanhado de um drink, torcendo pra'quela porra dar ré.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

talvez você também goste:

7 comentário (s)