Sorria, menininho!

21 de abril de 2011


Depois que entrei no cursinho pré-vestibular comunitário daqui de Santos, minha vida ficou mais alegre, pois percebi que estudar vai muito além da concepção que eu adquiri durante todo esse tempo de escola.


Meus professores são voluntários e se dispõem a ir para as aulas sempre sorrindo, fazendo de tudo para que enxerguemos suas matérias como coisas agradáveis e, muitas vezes, legais de se estudar. Aprendi que uma equação trigonométrica pode ser algo simples e divertido, coisa que eu jamais pensei em acreditar um dia. Aprendi ainda, que depende de nossas próprias consciências que alcancemos nossos objetivos, pois somente nós mesmos devemos tomar a atitude de pegar o caderno para resolver exercícios ou um livro de literatura para ler, ao invés de ir ao shopping passar o dia. E isso vem do nosso interior e não de uma ordem.

Ordens fazem com que passemos a ver o que é bom como algo cansativo e chato. Até mesmo estudar a Revolução Francesa ou a Segunda Guerra Mundial pode se tornar um porre quando imposto como algo obrigatório. Quando um professor nos obriga a copiar dezenas de exercícios como castigo por estarmos conversando na hora errada, faz com que enxerguemos aquela pilha de conhecimento como algo pesado e terrível. Estudar não é um castigo, muito menos uma punição. Estudar é algo prazeroso que deveria ser visto da mesma forma como vemos um ingresso de cinema numa sexta-feira à noite.

É incrível como, no cursinho onde eu estudo, nenhum professor nos olha de cima como se fosse um tenente e nós seus súditos. Eles se preocupam com o que as nossas mentes estão captando e se estamos interpretando tudo o que é passado da maneira menos distante da realidade e não com o enunciado que deixamos de copiar. Todos nós, incluindo alunos, professores e coordenadores comemos a mesma comida - que por sinal, é preparada com todo carinho pelos ex-alunos - e lavamos os nossos próprios pratos. Lá, todo mundo é igual. Eu me sinto livre quando passo meus sábados das 8h às 20h com eles, pois eu ando descalça, sento de perna de índio, divido chocolate com meus amigos e dou risada quando convém. E essa relação fraternal faz com que os nossos debates não sejam desafios cruéis, mas sim conversas descontraídas nas quais trocamos conhecimento dentro de um ambiente agradável, de igual para igual.

Ah, lá não tem nota, pois nenhum aluno deve ter seu conhecimento reduzido a um número. A única prova que temos é que somos capazes, independentemente de idade e classe social, de passar em um vestibular digno e realizar nossos devidos sonhos, por mais que eles ainda estejam em formação ou ainda nem existam.

Pode parecer utópico estudar num lugar assim, pois muitos diriam: "o mundo lá fora não vai ter chocolate e vocês serão avaliados por números, descriminados, pré-julgados e blablabla". Mas somos nós os responsáveis por isso e cabe A NÓS mudar essa realidade. Estudar é uma dádiva e amo a mim mesma por, simplesmente, ter noção disso.

Agora voltarei ao Auto da Barca do Inferno - que, por incrível que pareça, eu estou amando - pra trocar uma ideia com o Gil Vicente. Aos meus leitores, espero que continuem enxergando ou passem a enxergar os estudos como algo legal, pois por mais cansativo que nossos dias possam ser, a partir do momento em que pensamos dessa forma, tudo se torna mais fácil e compensador.

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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