Contra_riedade

19/05/2011



Procuro ignorar tudo isso, mas sempre que paro - nem que seja por um pequeno segundinho -pra olhar pra janela com cara de paisagem ou, simplesmente, assistir a caminhada coletiva de formiguinhas em direção ao resto de bolo que ficou na pia, uma chuva de contradições tomam a minha mente.

Estou fazendo a coisa certa?

... Abdicando de tantas coisas em prol de um futuro que eu nem sei como vai ser. Sinto como se o tempo estivesse correndo e todos a minha volta girassem junto com ele, aproveitando cada minuto de suas vidas como fossem morrer no dia seguinte. E eu aqui, parada de frente pra minha estante, cheia de livros no colo, lutando pra conseguir resolver um exercício de Geometria Analítica.

Eu tenho tudo o que eu preciso pra ser feliz... está tudo ao meu lado, me chamando pra ir pro cinema, falando que 'o almoço tá na mesa', me mandando uma renca de músicas que eu tô há séculos tentando arranjar tempo pra ouvir, me ligando pra avisar da festinha do pijama de sexta-feira... E eu aqui, parada de frente pra minha estante, cheia de livros no colo, dessa vez lutando para conseguir terminar a lição de História antes das 22h.

Mesmo assim, sinto como se faltasse alguma coisa. Uma coisa que vai surgir pra mim se eu continuar parada de frente pra estante... uma coisa que eu espero há não sei quantos anos e poucos compreendem. Essa coisa é um sonho.

Da mesma forma que eu não sei descrever em palavras o amor que eu sinto por algumas pessoas, é impossível explicar o porquê de eu estar lutando tanto pra atingir um objetivo que pode ser conquistado de uma maneira bem mais fácil.

Afinal, o que é um sonho? Será que vale mesmo a pena me distanciar de tudo o que eu amo pra correr atrás dele?

A vida passa... e um nó enrola minha garganta quando penso nisso. Olho pras fotografias na parede e sinto meu coração diminuir dentro do peito, consumido pela nostalgia de épocas das quais sentirei saudade de viver.

Por isso prefiro não pensar... os que não pensam, sofrem menos.


Volto à minha estante.



Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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