O desfile dos palhaços sorridentes apresenta:

05/01/2012

O sorriso.

Texto para Bloínquês
101ª edição musical
Tema: Emoldurar no céu o seu sorriso

"Ladies and Gentlemen" - disse um senhor gorducho, com roupas coloridas e cara pintada, depois de pigarrear - "Preparem-se para uma grande viagem em torno da avenida das Corujas! Eu e minha trupe estamos aqui para vos apresentar o que há de melhor quando o assunto é sorrir! Venham! Serão bem-vindos jovens com mentalidade idosa e idosos com cabeça de jovens! Para os que gostam de maçã e para os preferem um mamão!'' - e um anãozinho apertou a mão de uma das crianças que corria atrás do caminhão - ''Para aqueles que gostam de sorrir! Aproveitem mais essa aventura conosco, seguindo nosso caminhão!!"

O veículo estava caindo aos pedaços e parecia tombar a cada buraco no asfalto, mas era todo enfeitado com retalhos, lâmpadas das mais diversas cores e cartazes de espetáculos. Atraiu muitas pessoas, desde crianças com aqueles pirulitos enormes e coloridos, até senhorinhas que usavam vestidos rodados e saíram de suas cadeirinhas de balanço para desenferrujar o esqueleto.

Lá de cima um palhaço jovem, que usava um chapéu vermelho com um girassol enorme na aba, observava toda aquela euforia animado. Jogou balas para as criancinhas, que se amontoaram num bolo humano para tentar pegá-las. Acenou ao velhinho de cadeira de rodas que sorria enquanto era empurrado por uma pessoa mais nova, talvez seu tataraneto. Assoprou papeizinhos prateados pelo vento, os quais caíram sobre o público andante, fazendo-o sorrir.

Foi quando o mesmo palhaço observou uma bela dama, andando lá no fundo, com passinhos lentos. Não estava animada, mas mesmo assim procurava seguir aquela pequena multidão... parecia gostar de tudo aquilo e, mesmo que estivesse triste, sentia-se bem onde estava, no meio de todas aquelas pessoas. Algo nela chamou a atenção do palhacinho e o fez criar um holofote imaginário para cobrir a tal daminha. Não conseguia mais ver nada além dela. Ela era bela. Ela era triste.

De repente, num pulo, abandonou o caminhão e correu até a bela dama.

"Toma, esse é pra você...", disse o palhaço, retirando o próprio sorriso e pousando o sobre a face rosada daquela moça.

O palhaço ficou sério, ao passo que ela sorriu, contente com o que ele fizera.

"Por que você fez isso?", perguntou ela, sorrindo.

"Para que você possa emoldurar no céu o seu sorriso...", respondeu, sem sorrir.

Seus olhos brilharam e ficaram gratos com a gentileza. Foram segundos que pareceram uma eternidade. A bela dama, com sua roupa refinada e sua delicadeza nata, não conseguia parar de sorrir para o jovem palhaço, que permanecia sem sorriso algum. Amor à primeira vista? Talvez... só o destino diria. Não aquele destino previsto, mas o destino natural das coisas. Ela continuava sorrindo enquanto ele contemplava sua doçura com os olhos, já que não sorria. As pessoas continuavam correndo atrás do caminhão e todas aquelas cores se afastavam lentamente dos dois. Eram dois pontinhos no meio daquela chuva colorida.

"Pegue", disse a moça, retirando metade de seu sorriso e entregando-a ao palhaço, "Eu divido com você."

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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