Cantando por absolvição

09/04/2012



Não desejo apreciar a solidão futura, junto às minhas brilhantes e caras jóias. Não quero me olhar ao espelho e encarar uma forma vazia de ser-humano, que consome migalhas do que conquistou durante a vida, enquanto lutava para que as atuais migalhas fossem vistas como pães inteiros.

Quero estampar meu sorriso nos corações de quem amo. Quero que a minha imagem seja lembrada como um pássaro que construiu sua alegria e não como um pássaro que absorveu o que desejava e voou para longe. Não desejo ser um vulto dessa desunião constante a qual todos nós enfrentamos.
O gráfico da minha vida pode não ser constante, como nenhum jamais foi... Mas serei o agente que tentará mantê-lo acima do eixo das abscissas e à direita da reta das ordenadas, para que somente energias positivas me dominem.
Não quero cantar por absolvição, derrubando lágrimas ao lembrar do que fora deixado para trás à medida em que eu subia os degraus da estabilidade social e despencava diante da firmeza emocional. E se for para cantar, que não seja uma canção de arrependimento, nem de perdas que causei. Que seja alegre. Que seja bonita. Que seja viva.


Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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