Exogenesis: Sinfonia, Pt. 2: Polinização Cruzada

29/04/2012

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Olho ao redor, assustado com o que me cerca. Meus olhos ofuscam-se diante das luzes, trêmulos, cheios d'água. Encolho-me junto ao canto da parede, deixando apenas uma fresta entre os braços e os joelhos, vigiando o que passa por mim, com medo.

"Faça seu último pedido...", pronuncia algo distante.

Levanto a cabeça, receoso, procurando pela voz. Desdobro minhas pernas e olho adiante, esticando o pescoço. Viro-me para a esquerda e depois para a direita, inutilmente. Onde estava o dono daquelas palavras? Poderia ele acolher-me?

É tão grande a vontade de encontrá-lo que já faço disso o meu próprio pedido. Depois, quem sabe, eu imploraria por um confortável abraço e tudo estaria feito. Todos os medos partiriam com o vento e, através do mesmo ar em movimento, sentimentos bons me dominariam. A paz reinaria sobre minh'alma, finalmente.

Começo a andar pela multidão, procurando pela origem da voz. No início, passos lentos; depois, percorrendo os longos diâmetros da calçada de piso circular. Corro, esbarrando em todo mundo, com pressa, ofegante. Canso.

Como pôde enganar-me tal voz depois de tanta desilusão? Como? Não existe graça em situações assim. Eu acreditei que superaria tudo, que sairia daquele cantinho... Espere. Eu saí. Ora essa, que grande solidária foi aquela voz... Mas, já que não encontrei seu dono, onde será que ela está?

Desprendo-me da cela acolhedora; aprendo a fazer meu próprio ar, minha própria água, meu próprio alimento.

A voz era minha, que gritava contra meus medos, explodindo em cores... Fazendo-me capaz.


Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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