O balanço

06/08/2012

- Venha... - chamou, estendendo suas delicadas mãos, quase escondidas pela camisa comprida.
- Aonde estamos indo? - perguntou, enquanto era puxado por ela.
- Voar!

Ele olhou para o balanço, que se movimentava devagar por causa do vento.

- Sente! - disse ela, entusiasmada.
- Mas -
- Mas nada! - riu - Ande!

Obedecendo a garota, sentou-se no balanço assustado, como se estivesse sentando em uma cadeira elétrica. Perto de seu ouvido, escutou a voz de sua amada.

- Feche os olhos.

Com as pálpebras cerradas, era empurrado pela menina. Aos poucos, o orgulho ia escapando-lhe do peito, e sentia-se cada vez mais longe do chão, mesmo sem enxergar um só movimento.

- Solte suas mãos, querido... - disse ela, com um sorriso que não lhe cabia no rosto.

Ele também sorria. Aquele momento fez com que um eterno filme passasse por sua mente. Lembranças invadiam-lhe a alma, dando vida àquela simples brincadeira. Sentia-se perto do céu, longe de tudo; o corpo, de repente, ficou leve, e o vento que por ele passava parecia abraçar-lhe.

- Está sentindo? - sussurrou a menina - Isso é o que nós mesmos tiramos das nossas vidas. Crescemos e esquecemos de encontrar alegria nessas pequenas coisas. Brincar tornou-se uma heresia, não é mesmo? - pausou e olhou para o rosto de seu eterno namorado, agora com alguns traços a mais - Parece que esquecemos de viver realmente.

Abriu os olhos calmamente e sentiu o amor que se dissipava das palavras dela. Não sabia ao certo o que dizer diante daquela sensação tão boa. Os anos haviam levado toda sua juventude. Agora os seus cabelos haviam perdido a cor.

Pousou de seu voo, sentindo-se feliz ao ter consigo o tempo que fora embora... Tempos de uma vida contemplados ao lado daquela eterna garotinha, que agora parava de empurrar o balanço.

- Não sei como expressar meus sentimentos, querida... - disse, pegando em suas mãos.

- Não se preocupe... Sentimentos não cabem em fôrmas parnasianas.





E aí você, leitor, termina de ler este texto com um a cara de bobo.  Olha para o lado e o deleta totalmente de sua memória, sabendo que não fará falta... Até porque, é pura utopia o que você acabou de ler. Para quê perder tempo...   

Será mesmo utopia?
A resposta fica contigo, não precisa contar. 

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3 comentário (s)

  1. Não pude ver esse texto sem nenhum comentário. NENHUNZINHO! Então... você é muito doce, Manie. Com as palavras. E deve ser assim em sua anatomia, também. Deixe-me perguntar: você vai ser professora de quê? Ou só professora? (só? que ultraje! TUDO, né!). Acompanho seu blog sempre que posso, é lindo! Atenciosamente, Laysa.

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  2. oi laysa! obrigada pelo comentário, mesmo, de coração!
    tentei clicar no seu nome pra te responder, mas não consegui achar nenhuma conta sua :(

    então, eu quero ser prof sim! na verdade eu já sou, só que como voluntária xD ainda não sei do quê, nem pra quem, mas gosto muito de História... sabe, de ensinar História de um jeito diferente, com palavras doidinhas e tal? Adoro!

    seja sempre bem vinda! valeu pela visitinha :-)

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  3. Ah, rs. Não costumo comentar com conta logada. É que a minha estava em desuso. Enfim, não precisa agradecer. Digo porque gosto, mesmo.

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