Sinestesia

17/08/2012



O azul aveludado 
do seu terno sem sabor 
faz com que eu aspire o invisível 
e ouça o que se não pode sentir

Enquanto a caneca de café-com-leite enxerga
no fundo de uma lágrima uma inspiração sem cor
sinto a liberdade de um cego
ao ouvir a imagem, surda

Canto em versinhos uma canção
para que o nada
nem mesmo o tudo
seja capaz de saborear

Assopra a sopa de cima do teu semblante
e retira d'alma a dor que te punge,
que te guia
ao fundo do poço
sem cor
sem sabor
sem nada. 

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