Com as rodinhas

01/12/2012

Passo o ponto de ônibus, passo as rotinas, passo os cansaços. Cruzo o sinal vermelho enquanto nenhum veículo se aproxima e desço a ladeira a quase 3,0.10^8 quilômetros por segundo, em minha mente hiperbólica. Ultrapasso o carro de última geração e a velha com o casaco de pele que falava ao celular toda afobada. Pego o atalho pela rua do supermercado e atravesso a linha do trem, entrando na primeira rua à esquerda e dobrando a segunda esquina. Não vejo pessoas; vejo vultos. Vultos coloridos, alguns preto e branco, mas ainda assim, apenas vultos. O barulho da metrópole torna-se apenas um ruído abafado e uma espécie de estranha anestesia bloqueia o cheiro da fumaça desse lugar.

Paro.

Olho ao meu redor.

Faço parte, mas não sou parte.

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