Rituais sociais que não me agradam

02/06/2013

Eu poderia criar um texto sobre como a minha tarde fazendo dobraduras foi agradável ao som de música popular brasileira e bons goles de chá, mas como eu não vivi essa tarde, não vou escrever.

Acontece que acho muito mais fácil escrever uma resenha ou postar uma receita do que falar sobre mim. Acho difícil expressar opiniões, mas eu tô sentindo uma pitadinha de revolta, daquelas que nos obriga a abrir  uma caixa de texto em branco e botar pra quebrar (insira eu requebrando agora, no estilo axézinho). 

Venho conseguindo uma paz interior que eu não acreditava ser capaz de possuir (e olha que eu nem fui pra Índia), mas nem por isso deixei minhas ideias de lado. Quando se tem uma ideia de verdade, ela caminha ao seu lado e as minhas costumam tropeçar de vez em quando, mas sempre voltam pra mim (isso ficou romântico).

O que acontece é que eu não gosto de algumas coisas impostas a mim, seja por um parente, um amigo ou a sociedade, que seja. Esse é um tema batido, yo sé, mas eu sou do tipo de pessoa que não se conforma com muita coisa. Desde pequena, é difícil encontrar pessoas que não falam "você não vai mudar o mundo, pequena" ou "nossa, essa menina viaja legalzão", mas não dá pra usar uma máscara e fingir que eu tô de boa com coisas que eu não tô.

Uma coisa que eu não gosto, por exemplo, dentre os rituais sociais, é que me perguntem "o que eu tô fazendo da vida". A vontade que dá é responder "comendo, vendo muito filme, fazendo xixi regularmente, tomando menos lisador para dores de cabeça frequentes", mas sei que o que eles querem ouvir não é isso. Sabe, quando você encontra alguém na rua, existe uma lista ampla de coisas que cê pode perguntar pra essa pessoa além dessa bendita frase.

Como toquei no assunto, abro um outro ponto: cumprimentar as pessoas na rua. Eu passo reto. É sério, não é falta de educação, até porque a vida me ensinou que só fala quem tem algo a dizer, certo? Por que cargas d'água vou parar pra dar oi e um sorriso amarelo pra prima de quinto grau, pra professora do primário ou, sei lá, prum conhecido de classe sendo que eu sei que não terei absolutamente nada de bom pra dizer? Compensa muito mais para o meu dia e para o tempo da pessoa em questão que a gente simplesmente não se veja, oras. E esse é um ponto dos bons modos sociais: cumprimente o colega, pergunte onde tá trabalhando, se finalmente tá pegando alguma mina gostosa e se comprou o carro do ano. Blé.

Falando nisso, não sonho em ter uma casa própria, nem automóvel. E o melhor disso tudo é que não me sinto minimizada por isso: me sinto mais leve. Uma vez minha mãe disse que mesmo que ela tivesse comprado um apartamento, ele nunca seria dela, porque ela está apenas de passagem aqui. Mesmo que eu não seja tão religiosa, eu sinto o mesmo. Acredito que 80 metros quadrados não são nossos só porque compramos e eu me sentiria muito limitada/acorrentada se comprasse um espaço pra chamar de casa. O mesmo com o carro: não tenho vontade, simplesmente. Acho que tem mais imposto que tomate, tem que ter lugar pra guardar, tem que manter e não quero pagar IPVA. 

Pois é, bonitinhos do meu Brasil, como é bom falar sobre esses assuntos que acabam me incomodando no dia-a-dia mesmo sem querer. Não é legal guardar coisa ruim dentro da gente, certo? Vale mais a pena transformar tudo isso n'um post.


Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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