Prefácio do meu futuro livro

30 de agosto de 2013

Era o dia mais frio em cinco anos na cidade. Aconcheguei melhor os meus pés debaixo do edredom e olhei para a garrafa vazia de água gaseificada que já estava fazendo aniversário em cima da estante, mas não cogitei a possibilidade de levá-la até a lata de lixo. Ficar deitado no sofá da sala era uma tarefa muito difícil de ser pausada.

“É o dia mais frio em cinco anos na cidade”, anunciou uma repórter de olhos bem grandes, cheia de casacos, dentro da televisão. Os olhos dela eram tão grandes que pareciam me encarar ferozmente e gritar: “TÁ UM FRIO DESGRAÇADO!”.

Senti um vento congelante passar pelas minhas orelhas e notei que havia uma fresta aberta na janela. Tentei ignorar os outros ventos que seguiram o primeiro vento, mas não dava. Pareciam cutucar minhas orelhas como agulhas fininhas e irritantes, zombando de mim. Por isso, levantei do sofá, sentindo um choque térmico muito louco agarrar minhas canelas descobertas e fechei a bendita fresta com o vidro. Olhei para fora e vi a noite cair sobre a minha pequena rua – poético, não?

Observei o bar que ficava na esquina do quarteirão da frente. Estava vazio. Na verdade, estaria vazio, não fosse um velho gordo com uma camiseta de time desbotada que assistia ao mesmo jornal que eu, enquanto bebia sua provável vigésima cerveja do dia, sentado do lado de fora do lugar. Enquanto eu filosofava sobre sua coragem em ficar na rua sem casacos diante daquele frio do Alasca, percebi que a programação da TV havia mudado e a novela já dava seu sinal de vida. Para o bem da minha alma, desliguei a televisão. Não que eu odiasse a tal da novela, mas aquele já era o terceiro capítulo em que a infeliz da Jordana chorava ao descobrir que tinha três meses de vida. E eu não aguentava mais fingir que estava triste com aquela situação.

De repente, meu celular tocou e a música dos Ogros Mutantes invadiu o ambiente, pegando o silêncio pela gola da camisa e o jogando para bem longe dali.

- Já sei. – disse, ao atender.

- Tá em casa?

- Sim.

Não sabia o que dizer, então não disse (grande ensinamento da minha mãe).

- Você consegue, Bruno.

- Não tenho tanta certeza. – respondi, com meu natural desânimo na voz.

- Venha. Os garotos estão empolgados.

- Imagino a empolgação de Ricardo – ironizei – Ele deve estar é xingando a minha alma.

Mais uma vez um silêncio básico tomou conta da ligação.

- Não precisa fazer isso por você. – ele prosseguiu – Faça pela banda.

De repente eu parei. As últimas palavras dele paralisaram meus ouvidos como se fossem gelo. Eu tinha acompanhado de perto todo o nosso esforço e sabia que aquilo tudo a que nos dedicávamos era algo muito maior do que qualquer um de nós. Era algo que nos completava e disso eu não tinha dúvidas. Mesmo inseguro quanto ao meu potencial, eu sabia que tocava guitarra bem... Ao menos para levantar uma galera por, sei lá, meia hora.

Respirei fundo e completei a ligação.

- Cícero, pode avisar que o show não acabou. Chego em vinte minutos. 




Eu venho escrevendo um livro desde 2011 ao qual dei o nome de As lágrimas musicais de Bruno, porém tive muitas ideias que me fizeram querer reescrevê-lo. Um dia, antes de dormir, peguei o caderno e comecei a jogar palavras que formaram esse novo prefácio. Vocês gostaram? 

Ainda não criei uma sinopse legal pro livro e nunca sei o que responder quando me perguntam sobre do que se trata a história. O que posso adiantar é que tem uma banda, uma história de amor, laços fortes de amizade e a descoberta de uma nova vida. 


Além do trecho do meu livrinho, trouxe algumas fotografias que tirei no curso ontem especialmente pro bloguinho ^-^









Pra finalizar o post de hoje, preciso compartilhar mais uma coisinha com vocês. Sei que estou um pouco atrasada, mas descobri essa semana que o trailer da adaptação de A Menina que Roubava Livros já saiu! O que acharam?


Fiquei arrepiada vendo esse vídeo: cenário de trilha sonora incríveis! Se eu quase chorei assistindo ao trailer, imagina no cinema? 

Confiram a resenha que eu escrevi sobre o livro A Menina que Roubava Livros aqui

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

talvez você também goste:

12 comentário (s)