Um pedacinho do meu passado

28/08/2013

Pouco tempo depois do meu nascimento, minha mãe criou um diário pra mim. Não, eu não aprendi a escrever no primeiro ano de vida: era ela que escrevia. Sim, uma mãe escrevendo no diário da filha, moderno não?


Ela escrevia de tudo: minhas papinhas, a primeira vez que derrubei meu irmão do cavalinho, presentinhos que ganhei nos aniversários. Eu acho tudo isso algo de muito valor, por mais que as titias ainda insistam em bulinar mamãe por ter criado esse diário. Se essas passagens não tivessem sido guardadas, eu jamais saberia da existência delas. E fazem parte da minha história.

Uma personagem super importante na construção do diário foi o Paixonado, um ursinho de pelúcia que foi o meu primeiro brinquedo (valeu, pai). 



03.03.96

Puxa, que dia triste...
Logo cedo, encontrei o Paixonado chorando. É que a gente gostava muito de um conjunto meio doidão chamado Mamonas Assassinas e hoje o Papai do Céu resolveu levar eles lá pra cima. 
Lembra quando eu comentei sobre aquele Sena? Pois é, foi igual, só que dessa vez eu também senti... Até chorei!!
No começo, eu tinha medo do jeito que o Dinho cantava, mas depois era a minha música predileta. Sabia cantar até o refrão: (IA, IA, IA!).
Agora não tem mais. Nem sei porque isso aconteceu. Mamãe diz que quando eu crescer eu vou entender melhor. 
Então... Pai do Céu, cuida bem dos nossos mamonas. Vou sentir saudade...

Mina, seu cabelo é da hora, 
seu corpão violão... 




09.05.96

Hoje é o último mês que eu fico com 1 aninho. Mês que vem faço 2. 
Mamãe diz que eu estou gordinha - Na semana que vem já vou com o Paixonado correr na praia.
Estou muito bem. Falo mais coisas, me acabo no É o Tcham e no pagodinho. Tô com saudades do pessoal da Barra.

Gente, eu ouvia pagodinho, como assim? 
Ps: Barra (Barra do Una) é o lugar onde a maior parte dos meus quase 40 primos mora. Se você ainda não conhece, vá! É no litoral norte de São Paulo e tem uma praia maravilhosa. 




08.07.96

Hoje fui na cidade junina com a mãe e o pai. Morri de medo no carro de bate-bate. O papai que me levou. Foi engraçado! Chorei tanto!! 
Depois me acabei na piscina de bolinhas. Sentamos no restaurante e eu comi pão com coca. Depois chegou o vô e a vó. Aí fomos na pescaria e eu ganhei uma bolona e um brinquedinho de médico. Fiz a vó comprar um balão (te amo). 
Depois o pai ainda foi no tiro ao alvo e ganhou um ursinho panda - nem preciso comentar sobre o Paixonado, né? 
Ai, to cansada!

Sério, gente, esse trecho está escrito exatamente assim. "Foi engraçado! Chorei tanto!!" ENGRAÇADO? Eu quase morri naquele brinquedo e meus pais ficaram rindo da minha cara, é isso mesmo produção? (Quando eu fiz 13 anos, meu pai fez o mesmo quando praticamente me obrigou a ir no elevador do Hopi Hari, afirmando que ele tinha pagado e era pra eu brincar - sente o totalitarismo).

Sim, depois que meu irmão nasceu eu deixei de ser a quinininha da família. Até hoje sou eu a culpada quando ele fica o dia todo sem comer (ele tem quase 16 anos).

Vocês, da infância anos 90, se lembram desses adesivos? Vinham junto com o lego pra gente colar nas pecinhas.


12.10.96

Paixonado... Mamãe saiu com o pai e disse que foram comprar um carro. Chegaram com o nosso maior sonho realizado: um fusquinha verde metálico todo a nossa cara, Paixonado. 
Agora eu tenho um carro e espero que o Papai do Céu nos proteja sempre. 
Obrigada, pai, te amo!



16.11.01

Bem, já passei da altura de entrar no Cantinho Extra Feliz. Agora estou com 1,22 e 27kg. Estou bem gordinha. 
Na escola, tudo bem. Já sei a tabuada até o 6. Escrevo e leio muito bem. Estou mais adiantada que o Paixonado!


Véi, esse foi um dos momentos mais tristes da minha vida. No supermercado Extra, havia um cantinho onde os pais deixavam os filhos enquanto faziam as compras e eu adorava ficar lá. Mas quando fiz 1,22, não pude mais entrar (chateada). Acho muito injusto essa coisa de a altura ser o critério pras crianças se divertirem. Por isso eu digo: não é só por 20 centavos.




28.10.04

Hoje foi mais um dia especial. Eu e a mãe ganhamos 2 ingressos da Marta para o show da Sandy e Júnior. Foi muito bom. 2 horas de show. 
A última música foi "Vamos pular". Mamãe quase perdeu o dedo do pé de tanto pular. Gritamos pra caramba. 
Chegamos em casa 23h30. 
Tinha uma lua linda no céu que parecia de mentira. Vi gente desmaiando, chorando, gritando, se desesperando... Puxa! Quanta emoção!! Me acabei de tanto cantar. Foi realmente muito legal. Milhões de pessoas... Valeu. 

Vocês se lembram desses saquinhos de doce? 


Eu cresci frustrada porque nunca experimentei o tal do creminho gostoso que os Teletubbies comiam.

Tv Colosso, quem lembra?

Tem muita coisa ainda que eu poderia mostrar aqui, mas esse post ficaria inexplicavelmente longo. Espero que tenham gostado de dividir um pedacinho da minha história. Pra finalizar, vou deixar algumas fotografias da minha infância.


 (Com certeza eu estava olhando pra alguma comida)

(Eu seduzindo desde pequena)

(Eu muito tranquila na primeira vez que vi o papai noel)

(Simpática, como de costume) 

(Amando redes em Barra do Una desde 1994) 

(Dormindo de olho aberto - parece que eu tô dançando) 



E vocês? Muita história pra contar?



Gente, confiram o post do Cassio relatando a segunda parte da sua viagem ao Rio de Janeiro, clicando aqui. Tá muito divertido!! 

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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