Conhecendo um ídolo

28 de setembro de 2013

Vocês já viram algum ídolo de perto? Já tirei foto com muita gente famosinha, mas nunca com alguém que eu realmente admirasse. 

Até que, através do Facebook, fui convidada pra assistir ao Festival Tarrafa Literária, que, desde 2009, promove debates descontraídos sobre os mais variados assuntos, desde esportes até literatura. Como só me convidam pra jogar Criminal Case, resolvi clicar no link.

No site, vi que um dos participantes do debate desse sábado (28/09) seria o Marcelo Rubens Paiva. Nem precisa dizer que eu sambei na cadeira do computador, né?

Acontece que o Marcelo é o autor de um dos meus livros favoritos, o Feliz Ano Velho (resenha aqui). Fiquei super animada e corri pra assistir ao debate. De quebra, ainda consegui um autógrafo e uma foto com ele (sambando em círculos). 


Pensei que fosse ser cansativo, mas o debate foi muito divertido. Ri demais em alguns momentos porque eles relatavam passagens da vida deles e opiniões literárias de um jeito muito engraçado. 

Eu não conhecia o Antonio Prata, mas ele me fez dar muita risada com o trecho do seu novo livro. Essa pequena crônica narra a estadia de seu papagaio Getúlio, que só comia sorvete de creme, em sua casa. O Antonio escreve de um jeito muito cativante e prendeu minha atenção até o final da leitura. A plateia morreu de rir.

Gente, mas eu não sabia que o Marcelo era tão divertido. Ele é o tipo de pessoa que não ri da própria piada, sabe? Cheio ironias, ele ganhou a atenção do público, que o aplaudiu muito. 

"(...) aquele jornal parecia o Parthenon... só tinha coluna." (teve uma velhinha atrás de mim que só riu depois de dois dias, porque não entendeu a piada na hora).


Quando perguntaram sobre a primeira crônica que cada um lembra de ter lido ou escrito, Marcelo Rubens Paiva contou pra gente uma muito engraçada. Uma amiga dele resolveu entrar num curso de fotografia e o seu "TCC" foi fotografar pelas ruas da Sé, em São Paulo. Lá ia ela, registrando os detalhes, quando deu de cara com um mendigo dormindo na calçada e fez questão de dar alguns cliques. De repente, o mendigo acordou e foi se aproximando dela, mas ela não parou de fotografar. Até que ele disse que ficou muito emocionado por ela ter prestado atenção nele, porque ninguém nunca notou sua presença e ele estava gratificado. Como forma de finalizar essa gratidão, ele pediu a ela um abraço, afirmando que numa cidade como São Paulo, as pessoas não se amam mais, não se tocam mais, não se falam mais (e começou a filosofar de um jeito tão bonito que fez com que ela o abraçasse). No meio do abraço, ele virou no ouvido dela e sussurrou: "Gostosa!".

(eu falando que meu nome era com Y no final)

No final do debate, fui até a entrada do teatro e fiquei numa fila com pessoas supimpinhas com livros novos que elas tinham acabado de comprar, esperando o Marcelo chegar pra gente dar um oi. Quando a minha vez de falar com ele chegou, pedi pra que ele autografasse meu exemplar de Feliz Ano Velho, da edição de 1982. 

"Esse é velho, heim" - ele disse, abrindo o livro e deixando o autógrafo. 
"É, eu roubei na biblioteca"
"Pão dura você heim" - ele bricou - "Por que não comprou um novo?".

Ser chamada de pão dura por um de seus ídolos literários não tem preço. 

Gente, parecia que eu tava vendo a Xuxa saindo da nave ali, na minha frente. Fiquei nervosa de um jeito tão inexplicável, que na hora de tirar foto meus dentes ficaram tremendo, sabe? O pessoal deve ter pensado que eu era uma maníaca, sei lá. 


Fiquei muito feliz por ter ido a esse debate, porque além de ter passado uma tarde de sábado muito agradável, pude conhecer um dos meus escritores favoritos. 


Alguém já leu alguma coisa do Marcelo?

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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