Pe-dri-nha, meu amigo

25/11/2013


Por um tempo eu precisei de uma folha em branco, de um recomeço, de um novo cantinho. Senti que eu precisava criar cada vez mais textos do jeito que eu quero e eu precisava de um novo espaço para realizar isso. Criei até uma nova conta no gmail, copiei o HTML do blog atual e tudo mais. Quando vi, eu tinha um novo Pe-dri-nha e não um novo blog.

É tanta coisa na cabeça... Essa sensação de incapacidade e toda essa dura realidade me olhando ferozmente e insistindo em dizer que eu não posso salvar o mundo, nem mesmo um amigo tão especial... Nem mesmo você, bloguinho. Eu, que sempre acreditei que podia fazer alguém feliz, hoje me sinto pequena diante de tantos conflitos. Talvez aquela história que a tia contava pra gente na escolinha não seja tão simples de acontecer: não basta se dedicar tanto ao que desejamos se a gente nunca vai ser bom o suficiente.

Me perdoa, meu cantinho amigo, por querer ter te substituído. Eu posso publicar livros, escrever roteiros para filmes, dirigir um documentário, mas nada, nem mesmo um blog novo, vai poder ser pra mim o que você é. Você me acompanhou desde a época mais bonita da minha vida até o período mais conflituoso que eu estou presenciando e nunca me deu as costas. Nem mesmo quando eu deixei de te dar vida por semanas, na época do colégio. 

Eu estava prestes a trancar um pedaço enorme da minha existência pra começar outro, quando percebi que não era necessário deixar nada do que eu escrevi pra trás. Tudo, até mesmo os textos de três linhas ou as revoltas de opiniões já mudadas, não pode ser simplesmente ignorado. Nem mesmo as receitas cheias de fluflu e os temas mais superficiais que eu tenha postado devem ser escondidos. Todas essas coisas fizeram parte da minha vida e eu não quero deletá-las.

As minhas melhores crônicas, os meus maiores desesperos e as minhas maiores alegrias estão aqui, no blog que um dia eu quis que fosse meu diário, cheio de ingressos de cinema, bilhetes e momentos pra recordar. 

Sim, essa é uma declaração de amor pra você, Pe-dri-nha, com esse nome cheio de hífens que um dia eu quis te dar. Não importa se eu não te dei um .com ainda ou se não abri espaço pra mais ninguém escrever aqui até agora. Te dou todo o amor e dedicação que eu posso, pois sei que tudo o que eu postei e continuo postando por aqui jamais será somente meu: será de todos aqueles que se identificarem, se emocionarem, chorarem e rirem comigo. 




Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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