Se Arrependimento Matasse

19/12/2013



Sabe aquele livro que a gente não vê a hora de descobrir o desfecho? Ontem mesmo eu estava nas últimas páginas de um livro policial e minha prima de 6 anos estava querendo brincar de escritório. Ela perguntava "qual seu nome, moça?" e eu respondia, olhando pras páginas amareladas "como assim gente meu deus foi essa pessoa que matou fulaninho!!" (assim, tudo junto, sem vírgulas, meio desesperado). 

Se Arrependimento Matasse é o livro que eu citei no parágrafo anterior. A história foi criada por Alma Cervantes, um jovem escritor que está cada vez mais empenhado na sua carreira literária. Quando ele aceitou a parceria, saí sambando pela casa, toda feliz, pois foi a primeira parceria envolvendo livros aqui no Pe-dri-nha. 


Sabe aquela sensação inquietante estilo "quem matou Odete Roitman?" que a gente sente nesse tipo de história? Eu já li muitos livros desse gênero, desde os da série Vagalume à Agatha Christie (diva) e confesso que foram poucos os que realmente me passaram essa inquietação de querer descobrir o assassino. Se arrependimento matasse provocou essa ansiedade em mim e eu fiquei muito curiosa em relação ao seu desfecho (que por final, foi extremamente bem elaborado).

Alex, Alice e Rebeca são grandes amigos e decidem se reencontrar depois de alguns anos sem se verem. O lugar escolhido é o hotel dos pais de Alex, mas o que parecia uma viagem especial, repleta de conversas agradáveis e descontraídas com os outros hóspedes durante o jantar se transforma, em seguida, num pesadelo. Quando os três se preparam para dormir, ouvem batidas desesperadas à porta e seguem ao salão, onde logo descobrem que o cozinheiro fora assassinado. Com a comoção, somada à dificuldade de fuga devido à tempestade e névoa lá fora, a confusão logo se instala no hotel, além de um desagradável clima de suspeita entre os hóspedes.
Tensão. A revelação de um detetive. E um desfecho surpreendente.


Conhecem a sensação de quando a gente tá vendo um filme ou mesmo lendo algum livro e sente um calafrio? Quando o enredo foi ganhando força, o clima de suspense me deixou um tanto com medo. Isso aconteceu devido à descrição dos ambientes bem elaborados. 

Na treva absoluta das três horas da madrugada, era impossível enxergar mais do que dois metros à frente. Pessoas facilmente impressionadas poderiam dizer que esta era uma dimensão à parte do mundo, engolido pela escuridão em um frenesi de perversão ou até mesmo algum tipo de julgamento divino.

A única coisa que me incomodou um pouco foi ler todos os pontos de vista, de cada uma das personagens, ao delatarem sobre o dia do assassinato. Se esses relatos tivessem sido um pouco mais diretos, essa parte não ficaria tão cansativa. 

Gostei muito da quantidade de diálogos, pois essa ideia de discurso direto me agrada bastante, já que assim a leitura flui mais rápido e a gente se aproxima mais das personagens. Vocês também gostam?


O livro possui 246 páginas, todas amareladinhas e com fonte num tamanho bacana, o que, ao meu ver, passa mais leveza na hora da leitura. A capa transmite bem a ideia de assassinato e suspense, com cores escuras e detalhes em vermelho, que eu interpretei como se fosse sangue. 

Na dedicatória, o autor diz: A todos os que me apoiaram desde o início; e também a todos os que viram com preconceito. E eu digo que, apesar de o nosso país não nos dar tantas facilidades para ser escritor, espero que Alma Cervantes continue empenhado nessa vontade, pois ele tem um longo caminho literário pela frente que vai continuar surpreendendo muita gente. Espero os próximos livros!




E-mail para compra direta com autor: almacervantes@outlook.com.br

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Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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