Momento ideias filosóficas

18/01/2014

Tem coisa que a gente acha que acontece só com a gente, mas nem sempre isso é verdade. Apostar uma corrida mentalmente pra ver se eu consigo chegar na cozinha antes do microondas apitar - caso contrário eu morro -, por exemplo, é uma situação comum no meu dia-a-dia. E quando eu soube que isso acontece com uma amiga também, me senti um ser humano aberto, sem segredos, como se tudo o que eu sentisse estivesse perambulando na cabeça das outras pessoas da mesma maneira.

E aquele momento em que você está sozinho com um desconhecido numa sala de espera ou de frente pro diretor da sua escola e pensa "Imagina se ele(a) consegue ver o que eu estou pensando". E aí, você começa a pensar um monte de coisas extremamente proibidas e fica morrendo de medo da pessoa descobrir e tal. Medo da mulher que está do seu lado virar pra você e falar: Dá pra parar de me imaginar fazendo xixi?

No ônibus as situações se agravam. É só você colocar seus fones de ouvidos pra começar a ter a sensação de que sua barriga está fazendo mil e um barulhos hiper bizarros e que tá todo mundo te encarando. Ou, então, que o fone desconectou do celular e a galera toda tá puta da vida porque quer viajar tranquilamente e você está atrapalhando o sono delas, quando, na verdade, o fone tá encaixado direitinho. Ou, ainda, você pensar que todos estão te olhando porque o volume da música que você tá ouvindo está alto demais e você tira o fone três vezes por minuto só pra se certificar de que o volume está adequado (e que, na realidade, o tio gordinho parado na sua frente está te olhando porque você está com uma remela nojenta no olho). E isso acontece porque a gente tem medo da reação alheia. Afinal, ninguém fica apavorado ao derrubar latas no supermercado porque tem dó das pobres latinhas (ou do trabalho do repositor), mas sim, porque todo mundo vai ver e isso vai ser horrível e vão te prender e vão matar sua família. 

A época escola também é repleta dessas ideias filosóficas. Você tava de saco cheio de dividir seu lanche, por exemplo, e naquele bendito dia você resolveu levar Yakult. Aí o sinal do intervalo toca e você sai da sala estilo James Bond, enrolando a bebida no uniforme e andando junto à parede, quando um coleguinha supimpa vai se aproximando lentamente e você já começa a suar frio. E, no final, ele só queria devolver a borracha. 

Entrar na sala do cinema saltitando porque tá um silêncio enorme, o que significa que você vai poder escolher o lugar mais maravilhoso, mas, quando percebe, o lugar tá lotado, só que tá todo mundo quieto mesmo. Nessas horas até a pipoca fica chateada. 

Lembre-se: não se sinta estranho. Você não é o único a ter esses pensamentos doidos, sabe? Bom, pelo menos eu posso te dizer com honestidade que pelo menos UMA pessoa também passa por situações iguais às suas: eu. 

Não se preocupe. Antes de dormir, quando você estiver ouvindo a sua banda favorita, eu também vou estar me imaginando no palco do Wembley Stadium tocando guitarra pra todo mundo, sendo a maior rockstar do planeta, fazendo meus fãs chorarem com faixas na testa com frases do tipo 100% Manie. E eu nem sei tocar guitarra.


Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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