The Black Parade

22/01/2014

Você tem algum símbolo de esperança? 

Eu tenho algo que me trouxe de volta à vida há alguns anos. É uma história. E eu vou contar pra vocês.


O que trago aqui hoje pra vocês é a história de um homem em estado terminal de câncer que me mostrou o significado de uma palavrinha chamada esperança

O Paciente - com letra maiúscula - está totalmente desiludido nos últimos dias de sua vida, já que vai morrer em breve e não fez nada que o fizesse se sentir orgulhoso de si mesmo até aquele momento. "Se você olha no espelho e não gosta do que vê, então tem uma pequena ideia de como é ser eu" é uma das frases que ele nos diz, mostrando bem como ele se vê.

Quando ele morre, a história começa. Os primeiros acordes dessa trama são misturados com o barulho de um monitor cardíaco anunciando a morte do tal Paciente. A partir daí, ele mergulha em todos os momentos que viveu, pensando em como sua vida inteira foi desprezível e como sua morte foi pior ainda. Viveu morrendo e morreu por causa de uma célula mutante malvada. "Grande ser humano!", ele ironiza. 

É aí que a morte passa por ele como um desfile, cheio de personagens impactantes. É a Parada Negra (do inglês Black Parade), convidando-o para juntar-se a ela, a fim de que ela pudesse mostrar que, no fundo, há esperança, até mesmo na morte. 

A miséria e o ódio de um mundo que te manda carretéis de sonhos dizimados matarão todos nós. Então pinte-o de preto e o devolva. Vamos gritar alto e claro, desafiando-o até o final (...) Em frente e em frente seguiremos através dos medos (...) Nós continuaremos. 


E através desse hino à esperança, eu, na época uma garotinha de 14 anos, olhei no espelho e vi o Paciente. E descobri que muita gente também tinha visto a mesma pessoa ao ver seu reflexo. Pessoas que hoje são muito especiais pra mim. 

Onde havia escuridão, eu enxerguei a luz. Conheci amigos incríveis e junto com eles, num fevereiro distante, cantei "Eu não tenho medo de continuar vivendo... Eu não tenho medo de caminhar sozinho neste mundo". Tudo por causa da minha força. E essa força brotou em mim por causa dessa história. 

The Black Parade é o 3º álbum da banda My Chemical Romance, que foi minha banda favorita durante a minha adolescência inteira. Suas letras, difíceis de serem traduzidas, entraram como um remédio para minha dor, tão fácil e poderosamente que me levantaram de um período difícil da minha vida. Me ajudaram a ser quem sou hoje e a continuar superando tudo o que me puxa pra baixo. Me dá força, a mesma força que me deu há tantos anos. Me ilumina. Me faz querer viver. 

Não precisamos morrer, nem ter um tumor, nem passar pelo o que ele passou para nos sentirmos como o Paciente da história. Essa é apenas uma representação, muito bem construída, de alguém que, depois de tanta desgraça, conseguiu se reerguer. 

Quem quiser conhecer essa obra de arte, basta apertar o play. As músicas são incríveis, algumas com um toque teatral, outras com riffs pesados. Mas todas, exatamente todas, um dia me ajudaram. E espero que possa ajudar vocês ou, simplesmente, perfumar o dia de vocês com algumas notas musicais.



WE'LL CARRY ON




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Brotou coragem pra fazer a minha primeira tatuagem e eu já sei que vai ser algo relacionado a esse CD. 

Alguém aí quer participar do meu próximo vídeo? Eu pretendo responder algumas perguntinhas de vocês. Então podem fazer a Marília Gabriela que eu respondo tudinho (deixem as perguntas nos comentários).

Ah, não se esqueçam que o concurso fotográfico 500 Days of Summer vai até o dia 30. Ainda dá tempo de participar!


Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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