Laurence Anyways

3 de fevereiro de 2014

No post anterior, eu botei pra fora toda a minha revolta. Simplesmente sentei na cadeira do computador e comecei a digitar sem parar,  gritando através das palavras que eu escrevia com toda a minha força. Talvez eu tenha feito mal uso de algumas palavras, inclusive do título, mas na hora de escrever tão livremente quanto eu escrevi, essas coisas passaram sem que eu percebesse. 

Se a gente tem um blog, não podemos deixar de demonstrar a nossa opinião, dar nossa cara à tapa e expressar o que a gente acha certo ou errado, com medo de perder leitores. No começo do Pe-dri-nha, eu me revoltava até com a luz que acabava de repente aqui em casa e eu sempre gostei de desabafar com textos. E vai continuar sendo assim.


Depois de chorar sangue estudando as leis de Newton, senti vontade de postar aqui no blog. Já fazia um tempinho que eu não aparecia e surgiu uma oportunidade agora, no finalzinho da tarde. Resolvi deixar uma sugestão maravilhosa de filme, que tem um pézinho ali com o post anterior (não foi proposital!).

Laurence, um professor de literatura de 30 e poucos anos, ama Fred e juntos formam um casal muito unido (Laurence é o homem e Fred a mulher, por incrível que pareça). Apesar de ser realmente apaixonado pela namorada, ele percebe que existe um abismo dentro de si, abismo esse que ele pensou que havia se fechado depois do início do seu relacionamento.

- Quando conheci você, Fred, pensei que isso fosse passar. Eu amo muito você e preciso amar do jeito que eu sou. 

- Não estou entendendo.

- Eu vou ser mulher.


O filme narra do começo ao fim como foi a transformação de um transexual, no final dos anos 80, relatando não só suas mudanças físicas, que vão sendo expostas lentamente, mas também as transformações em suas relações interpessoais, as quais passaram a ser bem mais restritas e, muitas vezes, dolorosas. 

É uma história sem o vilão e o mocinho, sabe? A gente se divide entre a difícil libertação de Laurence e o esforço de Fred em lidar com toda essa situação. Para nenhum dos dois a situação é simples e a gente sente em cada cena como o processo é impactante para ambos e não dá pra escolher "de que lado ficar". 

Além da problemática em sua vida amorosa, Laurence se vê encurralado diante dos julgamentos em seu trabalho, em sua família e em cada rua por onde anda. A impressão que ele passa é que as pessoas tem repulsa dele, como se o fato de ele ser transexual fosse ser transmitido a quem nele encostasse, como uma epidemia qualquer. 

E é justamente o que acontece hoje em dia, não é? Se com gays e lésbicas esse fato já se torna visível, quem dirá para um transexual, cuja aparência física, na maioria das vezes, reflete muito mais a sua orientação sexual do que nos primeiros casos. Convenhamos, né. Se o pessoal já ficou maluquinho com um beijo entre dois homens numa simples novela global, imagina se encontram um Laurence por aí, na fila do pão? Para muitos atrasados, é quase um parto normal ver alguém-que-não-seja-heterossexual lecionando numa sala de aula ou defendendo uma causa no tribunal. Agora, no salão de beleza tá liberado, né? Nessas horas eles viram até o best friend pras fofocas. Até porque, quem-não-é-hetero TEM que gostar de Madonna, TEM ser divertido, TEM dançar bemzão e, o mais importante: tem que ser obrigado a ouvir "entendo, mas não aceito". 


Pulando pra parte visual da história, Laurence Anyways conta também com uma fotografia MARAVILHOSA. Colhi algumas cenas pelo querido google pra vocês terem uma leve ideia da dimensão da coisa (estão no final do post). Me arrepiei em muitas delas, porque foram muito (muito muito muito) bem feitas. 

Sem contar a trilha sonora, que é fiel aos anos 80 e nos faz dançar loucamente (no meu caso, dancei mentalmente, pois estava no cinema). Pensando nessa trilha, gostaria de deixar uma música da Miley Cyrus que possui um ritmo bem parecido com algumas músicas da OST. E antes que os haters da cantora peguem a motoquinha no estilo Zeca Pagodinho e nunca mais voltem aqui depois dessa, vou finalizar a postagem com as fotos que eu prometi. 



They try to change me
But they realize they can't









TRAILER:



- Isso é uma revolta?
- Não, senhor. É uma revolução.



Meu perfil no FILMOW

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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