Sobre uma certa saumensch que roubava livros

10 de fevereiro de 2014

. UMA NOTA SOBRE O FILME .
foi assim que eu saí do cinema
(desculpem a qualidade da foto, mas eu precisava registrar esse momento tranquilo da minha vida e havia deixado minha máquina potente com lente 34985734mm em casa).


Quem me acompanha aqui no Pe-dri-nha há algum tempo sabe que o meu livro favorito é A Menina que Roubava Livros. Não há dúvidas sobre isso. Tá, cheguei até a ficar em dúvida depois de conhecer os livros do John Green, mas não... nããããão, não há história mais linda do que essa. 

Palavras chaves que você precisa saber antes de ver o filme, se ainda não leu o livro: Alemanha, nazismo, segunda guerra mundial, menina sendo adotada por uma família pobre e tudo isso narrado pela Morte. 


Eu costumo ter medo de assistir adaptações de livros porque, como todo mundo sabe, nem sempre o roteiro é fiel à história. Porém, com a ladra de livros foi diferente, pois desde o dia em que saiu o trailer na internet, eu já estava com lágrimas nos olhos, sambando na cadeira do computador e torcendo pra ter dinheiro quando o filme estreasse, que eu tinha certeza de que seria lindo. E quer saber? Não me enganei nem um pouco. 

A história foi sim muito fiel ao livro, na minha opinião. Vi algumas críticas por aí, mas eu discordei de muitas. Gente, não tem como um diretor colocar todas as 382 páginas em 2 horas de filme. É como querer exibir Titanic na sessão da tarde. Não dá! Talvez por isso eu já tenha ido ao cinema preparada para eventuais cortes, o que me fez amar o filme.


As personagens são extremamente bem caracterizadas. O Hans é tudo aquilo que eu imaginei de pai fofo, que toca seu acordeão, que tem aquele jeito simples e que possui sempre um sorriso tranquilizador. A Rosa então é tudo aquilo que eu imaginei de mãe-brava-boca-suja-mas-que-na-verdade-tem-um-coração-enorme (aqueles olhos azuis miúdos no meio do rosto cansado são de arrepiar). 

O Rudy é meu filho literário. No filme, foi descrito de um jeito impecável, bem parecido com o que eu havia imaginado. Seu jeitinho malandro querendo conseguir um beijo da Liesel, sua determinação em se tornar o próximo Jesse Owens de sua geração e, lá no fundo, o carinho que tem pela amiga e passa pros espectadores é fantástico. 

Já o Max, foi uma grande surpresa. Eu imaginava ele pesando 20kg, com cara de morto, quase sem cabelo e pálido. No filme, ele é uma coisa fora do comum (gente, o que é aquilo?). Se não fosse a tosse e o modo cansado como ele se movimentava, eu nem ia saber que ele era um judeu foragido que passara uns 40 dias sem comer decentemente. Ele é lindo! (Mesmo assim, sua interpretação foi incrível, o que fez com que eu me contentasse com um judeu-na-segunda-guerra-mundial-aparentemente-saudável). 

Quanto à Liesel, eu não imaginava ela loira (não me perguntem o porquê). Eu imaginava ela com olhos claros e cabelos castanho escuros, bem menos corada e mais magricela. Uma espécie de mini-Rosa, digamos. Pra ser mais direta, eu imaginava a Liesel como a Ruth de Não me Abandone Jamais




Confesso que o final não é muito realista, ao meu ver. Por dois motivos. 

O primeiro é que a Liesel, ao se alfabetizar, aprende a ler e escrever em inglês e eles estão na Alemanha. Sei lá, acho que o diretor poderia ter sido mais criativo nesse ponto, mesmo que os atores falassem inglês (com algumas palavrinhas em alemão, como acontece no filme). 

O segundo ponto está no final, mas não vou explicar melhor porque tenho medo de falar algum spoiler, então vocês verão. Mesmo assim, foi a parte do filme em que eu mais chorei. Mas eu não chorei como uma pessoa normal no cinema. Eu solucei, gente. Analise a comparação abaixo:


A representação da rua Himmel é muito bonita, a trilha sonora é maravilhosa, as roupas das personagens são tudo o que eu gostaria de ter no meu armário, os cenários são quadros vivos de tão lindos. O contexto histórico também foi bem descrito, contando com a noite dos cristais (Kristallnacht), famosa passagem em que nazistas destroem lojas de judeus e os espancam no meio da rua.  

Para quem não leu o livro, deixo aqui a opção online: LIVRO EM PDF

Não vou dizer que é uma leitura fácil, leve e rápida, porque não achei que foi. O começo é meio cansativo, com a Liesel dentro de um trem e as narrações da Morte, mas depois vocês vão pegando o gosto e tudo fica melhor. Muito melhor. 


TRAILER:


Meu perfil no FILMOW


Edição: acabei de achar um vídeo super divertido de uma menina que também é apaixonada pelo livro e resenhou ele pra gente! clique aqui

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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