Amante das velharias

17 de maio de 2014




Não tenho paciência pra livro novinho, nem pra frescurinha. Não aguento essa ideia de "cuidado pra não fazer orelha" ou "não abra a página mais que 90 graus". Eu gosto de livro surrado, velho, com história pra contar e com história dentro também. Aquele livro que foi do pai que foi do tio que foi do irmão do vizinho. Que você pega, abraça, sente as palavras entrando no seu corpo e agradece por estar vivo e poder sentir algo assim. 

Ou, sei lá, pode até ser novo. Eu amo comprar/ganhar livros e sentir aquele cheiro de Saraiva, sabe? Mas não me peça pra ser cuidadosa quando o livro for meu. Se um livro é muito bonitinho, pode ter certeza de que ele não me pertence. Meus livros tem minhas marcas, meu cheiro, um pouco de mim em cada página. 

Eu boto um cd bom pra tocar no computador, aumento a caixinha de som, me jogo no sofá com um casaco vermelho enorme (estilo papai noel) e deixo aquela caneca de café bem do meu ladinho. Aaaaa, que sensação maravilhosa. Abro o livro, na página 67, que foi a que eu parei naquela noite, em que eu tinha ficado puta porque tava morrendo de sono, mas queria continuar lendo.

E uma das melhores sensações do mundo: você acordar e perceber que o livro tá todo jogado em cima de você ou que foi parar nas suas costas, misteriosamente. Ler até dormir é como ouvir aquela música boa até fechar os olhos e se distanciar um pouco do mundo... entrar num mundo só seu.

Mas, ó,
não fique preocupado,
se o livro for seu e
eu pegar emprestado,
eu tomo cuidado. 

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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