Sumi por motivos de: Rio de Janeiro

13/05/2014


Acho que sou o tipo de pessoa meio desapegada, sabe? Eu pego a mala, me jogo em qualquer lugar que me chamarem, aceito ingresso pra show de tudo quanto é banda/cantor, faço trilha, acampo, durmo no chão da sala dos amigos, faço vaquinha pra rachar um pão de queijo e isso tudo me preenche de uma forma inexplicável. Não entendo como tem gente que se preocupa tanto com hotel 5 estrelas, guia turístico, mala de grife e, sei lá, não dá a mínima pra viagem que tá fazendo. Entendo Bháskara, mas não entendo isso.

Depois de passar a madrugada no ponto de ônibus, filosofando sobre a vida com meu amigo arquiteto, cheguei em casa de fininho e me joguei no sofá, com a roupa que eu tava, já que a minha cama tava cheia de roupa aguardando a hora de ir pra mala. A impressão que eu tive foi que eu pisquei e acordei, mas mesmo com aquela olheira maravilhosa, comecei a maratona. Tudo tinha que ficar pronto até as 8h30. 

Nessas horas o cabelo não fica como a gente quer, a calça não fecha, o sutiã arrebenta (e olha que eu nem tenho peito pra isso). A gente fica andando da cozinha pro quarto e esquece o que foi buscar no quarto, daí lembra de uma coisa pra fazer na sala e quando chega esquece também. Daí chega sua mãe e te fala "bom dia!" e você, sem perder o ritmo, grita "ME AJUDA, PÕE AS ROUPAS NA MALA". E ela diz "vish, não coube tudo" e você diz chorando sangue "PELO AMOR DE DEUS SENHOR MARIA JOSÉ CADÊ A OUTRA MALA?".

E quando você percebe, está de frente pro ônibus que vai te levar pro aeroporto, lugar que você pensou que só fosse ir depois dos 40. Você pega sua bagagem de mão e senta na poltrona indicada, aquela da janela, perfeita. 

De repente você olha ao seu redor e vê todos aqueles rostos desconhecidos. Pessoas sentadas em outros bancos, o velhinho da lanchonete da rodoviária, a moça se despedindo do carinha de blusa xadrez... E sente a sensação maravilhosa que é olhar pro lado e não querer ser mais ninguém além de você mesmo.

Com o fone de ouvido conectado no celular, cheguei em Guarulhos. Peguei minhas malas, saí arrastando aquela tonelada de roupa e só depois lembrei dos carrinhos pra colocar bagagem, aqueles que eu via na televisão. Fiz cara de "ah, eu já sabia... só tava me exercitando um pouco" e fui fazer o check-in e todo aquele procedimento de viagem-de-avião. Ainda parei pra devorar uma batata recheada enorme e notei que no restaurante tava tocando Paint it Black, dos Rolling Stones. Dancei mentalmente e fui pra sala de embarque. 

Voo 1477, com destino ao aeroporto do Galeão, no RJ. Embarque pelo portão 5. Não fiquei nervosa, nem nada, muito menos com medo de o avião cair e eu não saber mexer naquelas máscaras de oxigênio. Entrei por aquele tubo sem fim e quando percebi já tava dentro daquela nave enorme, indo pra outro estado, sozinha. 

(além das olheiras que eu disse, fiquei Chloe na foto)

Fiquei na casa do Tadeu, meu irmão mais velho que ficou mais velho ainda no dia 4 (comemoramos dançando muito na balada tunts tunts tunts). Na verdade, foi esse louco que me deu as passagens de presente, no final de dezembro. Fomos em tudo quanto foi lugar, desde parquinho até show da Avril Lavigne (revivi minha pré-adolescência mtv tão bem que saí de lá sem voz). Gravamos duas tags, que vocês podem ver clicando aqui: #tag 25 perguntas aleatórias e #tag irmão e curtir/compartilhar pra deixar a gente milionário, certo?


Rio de Janeiro é uma cidade realmente muito bonita, igual aparece na novela das oito. Tem o caos de qualquer cidade grande (principalmente por causa da copa do mundo), mas as praias deixam o clima menos pesado que o da capital de São Paulo. Também percebi que o pessoal anda com menos pressa no Rio, diferente de São Paulo, que a galera corre a São Silvestre pra atravessar a rua até quando tá de folga. 

Lá tem mais gringo que carioca e isso não é exagero. Um dos lugares que eu mais gostei foi a Lapa, à noite, quando os barzinhos/baladas abrem e fica um monte de gente sentado em mesinhas de boteco pela rua e andando por lá. Em menos de um minuto eu ouvi 4 idiomas diferentes e foi raro ouvir alguma palavra em português ali. 

Outro lugar que eu fiquei apaixonada foram as ruas do Centro Histórico, que é mais ou menos perto dos Arcos da Lapa. Fui na rua do Ouvidor, geeeente (quem leu Dom Casmurro sabe do que eu tô falando ♥) e comi uma torta de morango ma-ra-vi-lho-sa e cara na Confeitaria Colombo.



Mas quer saber? Não fiz só rolê de turista rico não. A coisa mais cara que paguei foi uma sandália de um hippie, 25 mango, e ela tá tomando sol há dias e ainda tá fedendo a não sei o quê. Se vocês querem saber, gastei mais foi com ônibus/metrô/barca, porque o Tadeu mora em Niterói. Todas as compras que eu fiz foi no mercado clandestino (mais conhecido como mercadorias hippies/indígenas proibidas na praia de Copacabana). Sério, eu não podia ver uma pulseira de palha que ficava louca. Tanto que o Tadeu falou que na verdade eu fiz um tour Woodstock pelo RJ. 

eu e Serena (brinks), gente boa, me deu desconto e trocou ideia comigo em portunhol

Quer conhecer um lugar lindo mesmo no Rio? Vai ao Arpoador. SEM COMENTÁRIOS pra esse lugar... apenas amando viver ♥ É comum a galera sentar nas pedras e fumar maconha aplaudir o pôr-do-sol e o ambiente é muito tranquilo, cheio de energia boa... Parece que saí de uma sessão de descarrego. 

shorts cintura alta: fazendo você parecer ter 400kg a mais since 1950


Eu não ia ao Cristo porque achei que era caro, mas a gente pagava meia e saiu um preço suave, já que a gente economizou muito durante a semana. O trenzinho é um amor e durante o passeio entrou uns carinhas tocando samba e me fez lembrar muito a minha família. Quanto ao Cristo, é sim uma obra de arte e a paisagem lá de cima é incrível, mas não foi o passeio mais incrível que eu fiz lá. 

Do momento em que eu saí daquele avião, depois que ele aterrizou em solo carioca, até a tarde em que eu entrei em outro avião pra voltar pra casa, após uma semana, vivi momentos incríveis. É praticamente impossível relatar tudo aqui, porque eu teria que transformar tudo isso em PDF pra vocês baixarem e lerem um capítulo por dia. Por isso eu juntei todos os vídeos dessa semana, pois eles vão falar muito mais do que eu (tá lá em cima).

eu tô com um corpinho pequenininho e uma cabeça enorme... fiquei parecendo aqueles cachorrinhos do mc lanche feliz

todo mundo que vai nesse lugar abre os braços, mas eu quis ser original

quando alguém te perturbar, manda essa foto pra pessoa e diz: fasfavor, keridjinha

sendo fofa no Leblon

não resisti... é muita poesia pra uma pessoa só, tive que beijar 

êêêêê mulhé rendêêêêêra

indo pra marte no meu disco voador 

eu corcunda e o Rio

pegando uns bronze na praia de Icaraí/Niterói

"desenhe-me como uma de suas francesas" 

bar Garota de Ipanema

 não atrapalhe nossa apresentação, pfvr

EITAPO CAIU

no show da Avril, cantando he wansn't uara uara uara uara special

pernocas

Só queria agradecer ao meu irmão carioca maravilhoso por ter me dado esse presente inesquecível. Sei que daqui pra frente vou me aventurar em mais viagens como essa e ainda o receberei muito aqui em Santos, na minha humilde residência, mas esse pontapé foi muito especial pra mim. Serviu pra que eu visse que essa energia toda é o que me movimenta aqui nesse planeta e é o que me faz querer estar aqui. Não importa se eu vou terminar minha faculdade, se vou trabalhar nisso ou naquilo. Ficar controlando tudo isso só nos faz sofrer e eu agradeço ao Tadeu, do fundo do meu coração, por estar tão ao meu lado, vivendo esses momentos comigo, mesmo de longe, pela internet. Não, eu não sou apaixonada por ele, nem quero beijá-lo, muito menos casar com ele. O que eu sinto por essa pessoa pouquíssimas pessoas entendem, mas a gente não faz questão de explicar o que não se consegue explicar. Somos assim, irmãos. 

CARPE DIEM ♥



Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

Você poderá gostar também:

26 comentário (s)