Hoje eu não dormi de madrugada

05/06/2014

"I'm wide eyed like a new life shaking in the breeze
Enraptured by the world, unsteady on my feet
I fall into a place that I have only dreamed
And I'm the woman that I've always longed to be (...)"


Quando a gente pensa que chegou no top de ser quem é, de repente, o arco íris vai embora, dando tchauzinho com um lenço (estilo filme dos anos 40). Numa tarde, pensamos no quão evoluídos estamos; n'outra, afogamos nossa própria derrota numa xícara de chá, enquanto a casa dorme.

A angústia sufoca, entrando pela garganta e descendo feito areia pelo esôfago. Daí ela volta, num só movimento peristáltico, violenta e amargamente... e a gente bota tudo pra fora.

Percebemos então que não há "top" de nós mesmos. Somos uma senoide (ou uma montanha russa mesmo). Tamo bem, de repente não tamo. 

Sou e transpareço minha calma, o meu amor, o meu carinho exagerado e a energia que me movimenta aqui. Sou leve, mas nem sempre estou. E é justamente por ser leve que levo a leveza que me falta nos dias que a angústia (aquela, do começo do texto) me devora; justamente por ser leve que eu bebo a leveza que me acalma e me voa nos cabelos revoltados e volumosos; justamente por ser leve que eu sinto o que muitos não sentem e vejo motivação no que é banal a quem ainda não sentiu a mesma leveza.

E é por ter aprendido a ser leve que estou aqui, leve, escrevendo este texto e fazendo da minha madrugada a dose de carpe diem que me dá sentido... e é sendo leve que eu sei que não existe top nem crise. Existe uma linha bem tênue, tão tênue que chega a ser leve. 

Não quero, nem preciso entender. Leve-me, apenas.




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4 comentário (s)

  1. Incrível a sua capacidade de colocar os sentimentos num texto que consegue passar todas as sensações que nem em mil anos eu conseguiria transmitir. Mas me sinto assim, às vezes. Sobre estar bem e, de repente, não estar mais. Sobre essa leveza, sobre sentir e dar importância mais que a maioria das pessoas - e por conseguinte, sofrer mais também. Mas faz parte. São ócios do ofício de ser quem a gente é. E acredito que a cada dia nós nos transformamos na melhor versão de nós, pois sempre acontece uma coisa ou outra que faça a gente ver a vida de modo diferente. O que não dá é pra regredir. Isso jamais!

    macabea-contemporanea.blogspot.com

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    1. ainda dá vontade de escrever muito mais, mas não passa do coração, sabe?
      comigo é meio que ao contrário... eu sinto a leveza das coisas hoje e não sofro mais como antes... é essa leveza que me ajuda a ficar bem e é muito bom tê-la ♥

      mas concordo contigo: não dá pra regredir!

      obrigada pelo carinho, adoro seus comentários ♥

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  2. E que seja leve! E que continue leve! ♥
    Acho que é possível se encontrar nas entrelinhas do seu texto, sobre estar bem e depois não estar. Sobre a sensibilidade, sobre os sentimentos mais apurados que de qualquer outra pessoa.
    A gente lê e se vê, se identifica, se acha. Todo mundo já sentiu-se assim nem que por uma mera vez.

    tofalandoisa.blogspot.com.br

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    1. acho que o sonho de qualquer escritor é ouvir um "é possível se encontrar nas entrelinhas do seu texto"... fico muito realizada com essas coisas, sério! obrigada por sempre estar aqui, isa :D

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