Sobre dois filmes paradíssimos, mas legais

26 de junho de 2014


Tão bolada quanto Tati quebra barraco, eu, Manie, me vi aproveitando as minhas madrugadas como nunca aproveitei antes. Diferente da nossa querida funkeira, não tô sentada na esquina, nem esperando ninguém passar. Ultimamente tenho utilizado esse momento do dia (ou da noite, sei lá) pra estudar, mas eu meio que acabei deixando pra fazer tudo o que me dá vontade. Tem dia que resolvo exercícios de ótica, tem dias que vejo filme, tem dia que eu costuro, tem dia que eu simplesmente deito no sofá e vejo a programação depois do Jô. Aprendi a não me sentir culpada por não estudar 20h por dia (e dormir 2h, já que as outras 2h seriam pra revisão) e isso é muito libertador (tipo, muito mesmo).

EU NÃO FAÇO A MENOR IDEIA DO QUE EU TÔ FAZENDO COM A MINHA VIDA saiu no cinema final do ano passado, se não me engano, e eu fiquei emputecida porque os cinemas daqui de Santos não trouxeram ele pra cá. Pior: o cartaz ficou lá no cineroxy quase um mês e no dia da estreia não tinha horário no site. E eu já tava montada no meu salto 15, nas minhas pérolas e perfumes caros pra ir. Ok, superei e hoje estou aqui, viva e tal.


Cara, é um filme paradão. Tem cenários fofos, a fotografia é maravilhosa, as roupas da Clarice são lindas (inclusive já roubei hoje de tarde e elas já estão no meu armário, um abraço a todos), mas achei muito fofurento. Teve momentos que eu tive vontade de chacoalhar a Clara (personagem da Clarice Falcão), porque eu achei ela muito brisadona, sabe? Ela ia falar alguma coisa e a voz ia sumindo e a frase não chegava no.

Porémmm, depois, quando eu tava quase terminando de ver o filme, notei que isso pode ter sido proposital. A Clara é uma menina que passou em medicina sem saber ao certo o que estava fazendo, e, por isso, vive bolando aula no boliche. Lá ela conhece um cara muito demais e ele se propõe a ajudá-la na sua busca por si mesma nesse mundo. E o detalhe é que Clara é totalmente sem personalidade, como ela mesma afirma. Tipo, ela aceita o que as pessoas dão de bandeja, não questiona, não expõe sua real opinião e, literalmente, não faz ideia do que tá fazendo com a própria vida. Talvez esse jeitinho meio lesado seja por conta desse detalhe (ou ela pode ter fumado alguma coisa antes mesmo, nunca se sabe).

APENAS O FIM é um filme que sempre aparecia nos relacionados do Youtube pra eu assistir, mas só parei pra ver ontem. É uma história tão parada quanto o primeiro filme, mas acho que todo mundo acaba se identificando de alguma maneira. 


Uma garota resolve terminar o namoro e fugir prum lugar desconhecido. O rapaz fica meio confuso com a ideia louca da namorada e juntos passam a última 1h juntos, caminhando pela PUC e refletindo sobre suas vidas. As duas personagens são muito bem construídas, mas confesso que a menina é muito (grife o muito) dramática. No começo eu tava admirando as ideias dela, mas depois ela começou a se achar muito Paola Bracho, daí brochei. Já ele, interpretado pelo Gregório Querido Duvivier, é muito divertido com as suas reflexões loucas sobre as coisas. Eu ri muito com a cena do umbigo, assistam. 

Fiquei um pouco entediada no começo, mas depois saquei a parada do filme. É muito realista e nenhum fim de relacionamento é igual aos filmes de Hollywood, então tem que ser parado mesmo. O próprio ex-namorado chega pra namorada e fala "pensei que o nosso fim fosse ser igual aos filmes, mas tá sendo tão simples", algo assim. 

Comparando os dois filmes, vejo que os temas são diferentes, mas ambos se entrelaçam em filosofias sobre a vida. No primeiro, a menina perdida que tenta se encontrar no mundo onde vive; no segundo, duas pessoas que terão que, a partir daquele momento, seguir suas vidas sem a outra... e isso é um pouco "se perder pra depois se achar", também. A realidade que era fixa de repente se quebra e a gente parece sentir, de verdade, qualé a da vida. 

São filmes parados, mas com bastante história pra contar. Tenha paciência, keep calm e aperte o play.

Assista pelo Youtube:
pros dois filmes:


Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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