Sobre pegar a mochila e ir - e uma trilha sonora maneira

20 de agosto de 2014

Tava me sentindo meio infectada com pensamentos ruins dentro de mim. Tentei equilibrar todos eles como se eu estivesse andando num salto 15, mas teve uma hora que não adiantou tomar chazinho antes de dormir, nem respirar fundo, nem contar até 3 e pensar positivo. Ao invés de ficar parada imaginando, resolvi agir: fugi.

Não tenho grandes problemas com a internet. Não tenho essa de "aff, essa galera do facebook só posta merda", porque eu tenho idade e consciência suficiente pra saber que essa galera do facebook são só meus amigos - ou pessoas que eu realmente tenha algum laço, seja pelo blog ou rotineiro. Se me adiciona eu quero saber quem é (e não aceito pra fazer social, porque não abro a porta da minha casa pra fazer uma média com alguém que eu não quero manter vínculos).

O whatsapp, depois que entrou na minha vida, facilitou muito minha proximidade com meus amigos. Muitos deles moram longe, alguns fora do estado, então é muito legal saber que eu posso apertar a tela do celular e mandar um áudio gritando um bom dia sincero ou contando algo que aconteceu no meu dia, trocar ideia, e pá. Fora que tenho o wifi de casa pra falar com a galera que também usa essa rede social, o que faz dela o principal meio de comunicação que eu tenho hoje. Não tenho grana pra torrar em sms ou ligações, então economicamente é muito eficiente. 

Acontece que eu necessito de um tempinho meu. Sabe, um tempinho pra mim. Não necessariamente me isolar de todos, ignorar quando me dão 'oi' ou me trancar em casa, não é isso. Mas respirar um pouco sem estar conectada à internet, sem criar uma necessidade inexistente de postar uma música na minha timeline quando eu tô curtindo a vibe de ouvi-la... ou sei lá, não achar que toda foto legal que eu tirar eu tenho que postar na linha do tempo só pros meus amigos curtirem.

Não fui pras montanhas, nem nada disso. Apenas desconectei meu celular de qualquer wifi existente, por um tempo, e cara, isso me fez tão bem. Poucas pessoas me entendem, sabe? "Mas vamos ficar sem nos falar?" ou "deixa pelo menos o whatsapp ativo pra mim" foram frases comuns que eu ouvi... o que me fez pensar em como somos dependentes de coisas como wifi ou 3G pra sobreviver. Como se tivéssemos realmente que nos comunicar com todos os nossos amigos a todo o momento. Como se ficar alguns dias curtindo a própria sintonia fosse anormal, mas não é. 

Talvez essa idade contemporânea, cheia das globalizações, criou um medo coletivo nas pessoas. Um medo de perder aqueles que amamos, sacam? Tipo, aquela angústia em pensar "caralho, fulano não me respondeu meu inbox, será que tá doente, morrendo?". E, na verdade, esse mesmo fulano tá tomando um café com pão na chapa na padaria, vendo o programa da Ana Maria, de buenas.

Quando senti essa necessidade de sumir um pouco, não deixei passar. 

UMA NOTA:
Quando está nessa vibe, Julia Roberts vai à Índia;
eu venho pra Bertioga

Acordei antes das 9h na última segunda-feira, peguei carona até a alfândega e peguei a primeira barquinha. Foi uma sensação maravilhosa aquele ventinho batendo no rosto durante a travessia até Vicente de Carvalho, onde esperei o 930. Juntei uns miudinhos, comprei uns pães de queijo e esperei o ônibus. Ele chegou lotado, então sentei na escadinha e lá fiquei, até chegar aqui. 

Hoje é quarta-feira e são quase 22h. Agora o Cassio - meu primo e dono da casa onde eu estou nesse momento - foi pra academia e eu dominei o computador dele (e o creme de hidratação dele também, que por sinal é bom demais e tá aqui no meu cabelo) pra preparar minha aula de sábado. Entrei em contato com a outra professora de biologia - que dá aula comigo - via facebook e deixei uma mensagem pra um amigo, com umas fotos daqui, como se estivesse escrevendo uma carta com as novidades. 

E cara... isso tudo tá me fazendo um bem danado. Estar aqui, mais perto da natureza (Bertioga quase não tem prédios), respirando um ar bem mais puro, na casa do meu primo-amigo-irmão que foi super gentil em me deixar vir aqui, usar os seus lápis de cor, computador, creme da Pantene, comida, cobertor, chuveiro, tudo. 

Pra mim, talvez seja fácil dar essas "sumidas", porque não tenho um compromisso diário com trabalho ou escola, mas deixo aqui a dica do "desconecte-se" pra vocês aproveitarem e adequarem ela à realidade de vocês. Quando chegar em casa, ao invés de ativar o wifi pra ver as mensagens, tire os sapatos, dê um oi pra quem mora com você, toma um banho quentinho com calma, põe uma roupa confortável, se olha no espelho, admira sua cara de sono amassada com cabelo despenteado, vai até a cozinha, inventa uma comida gostosa e rápida - se der errado, faz um miojo -, assiste um filme, lê um livro, bota uma música pra tocar, sei lá, faz algo que te deixe feliz. Só de fazer isso ao menos uma vez na semana, você vai ver o quanto a vida tem de cores, sabores, sensações muito maiores pra te oferecer além da internet. Você vai sentir o cheiro da sua casa, vai saborear de verdade seu jantar - dane-se se for um pão com manteiga -, vai sentir o carinho de quem convive com você - se você morar sozinho, pula essa parte - e tantas outras coisas boas... Se quiser, escolhe um amigo pra enviar um sms de boa noite. Não se preocupe: se alguém realmente precisar de você enlouquecidamente, vai dar um jeito de te achar. 

Ontem eu vi um vídeo com o Cassio aqui no youtube no qual um cara disse que é legal quando as pessoas ficam um tempinho sem se falar, seja o dia todo ou alguns dias ou semanas ou sei lá. Isso cria assunto pra elas conversarem, cria coisas pra compartilharem, além de um 'hoje fui pra aula' ou um 'queimei meu arroz' (que também é legal, quando não vira rotineiro ou, no pior dos casos, robótico).  E cara, eu concordei tanto com o que esse rapaz disse. Além de passar a sentir os detalhes do dia e de se cuidar um pouquinho de si mesmo, a gente cria experiências pra contar pros amigos depois; cria motivos pra chamar alguém prum café ou pra ligar uma conversa na webcam, caso essa pessoa more muito longe. 

Não crie necessidades que não existem. A vida fica mais leve. E a gente também.

(descobri que eu to viciada em desenhar rostos e pintar)

Metade do título do post já foi explicado. Agora vamos à outra parte, que será bem mais curtinha.

Quem tem eu no facebook sabe que eu vivo compartilhando música. Como vi que isso era uma necessidade que não existia - a ponto de eu postar 3, 4 vídeos lá por dia -, resolvi dividir aqui com vocês algumas músicas que eu tenho ouvido muito ultimamente - inclusive na viagem. A maioria eu descobri vendo meu pai jogar vídeo game (acho que é o Fifa 14 do équis bóquis). 

Na primeira vez que ele jogou esse jogo, eu tava no outro cômodo e pensei "puta, fudeu, meu pai virou indie". Daí quando vi que era a trilha sonora do negócio, me interessei muito e procurei. Hoje, aqui, esperando meu creme de hidratação fazer efeito (e o Cassio voltar da academia pra gente encher essas panças gordíssimas), fiquei ouvindo algumas das músicas e tô inspirada até pra comer carne (brinks, isso não). 


(a letra dessa música me passa ma puta leveza e o penteado desse cara que canta é demais)









(não podia faltar essa muié aqui)

Pra todo mundo que leu esse post até o final, muita paz! E pros preguiçoso, um abraço, tamo junto, também leio posts grandes pela metade geralmente. 


Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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