Dois coelhos

05/09/2014

É difícil pensar em um filme brasileiro quando o assunto é efeito especial. Filme de ação, pra mim, é daqueles que meu pai vê no TNT (e até hoje eu confundo Denzel Washington com Robert Downey Jr com Bruce Lee, porque todos eles são marombas e fazem esse tipo de filme em que carros explodem, o que me leva a acreditar que todos eles sejam uma fusão de Arnold Schwarzenegger). Ok, voltemos ao assunto do post.

Até que eu descobri Dois Coelhos, uma produção nacional de 2012, que mistura ação e uma boa dose de amor. 


SURPREENDENTE. Em caps lock mesmo, porque é realmente surpreendente. Sabe aquele filme que te deixa com cara de OH MEU DEUS, tipo final de novela, quando o assassino de fulano é revelado? Bem nessa.

O que faz desse filme tão inacreditável é a maneira como a gente é conduzido ao fim. A personagem Edgar tem um plano, que deixa implícito desde o começo, afirmando que quer matar dois coelhos com uma cajadada só (daí o título). Mas, cara, você nem imagina que dois coelhos são esses, nem que plano é esse, nem nada. Você se deixa envolver pelas cenas e nem percebe pra onde tá indo. 


Acho chato contar sinopses (e sei que vocês devem achar bem mais chato ler sinopses), então sugiro que assistam sem ler nenhuma. Só peço que prestem bastante atenção no máximo de detalhes que for possível, porque com certeza a surpresa do final do filme vai atingir vocês com mais intensidade.


EFEITOS ESPECIAIS:

Todo mundo que acompanha o blog sabe que eu não curto muito essa parada de magia, fantasia e tal, mas com esse filme foi diferente. Não é só porque é brasileiro que o sangue foi estilo paint, relaxem. Todos os efeitos são foda, sério, desde a cena que faz analogia ao GTA até a descrição da personagem Júlia (linda, maravilhosa), que é feita em câmera lenta, com efeitos visuais muito maneiros (vou uma aí embaixo... não tem spoiler, então assistam à vonts).



AMOR:

Eu gosto de filme de amor, mas sem aquele nhé nhé nhé. Gosto de coisa realista, bem puxada pro cotidiano, o que me faz preferir diálogos como:

- Cara, - respira fundo e bebe um gole de vinho - eu gosto de você. Na verdade, péra... - gagueja - eu não gosto de você. Eu amo você. - sente o estômago sambar dentro de si mesmo - Mas não é que nem esses filmes de Hollywood, sabe, eu nem quero que você use aliança, porque eu particularmente acho chato ter que lembrar de colocar ela no dedo toda vez que sair do banho, porque não pense você que eu teria grana pra uma prata original. - tosse, como se buscasse ar - Mas algo nessa sua cara amassada me deixa feliz, sabe, de um jeito que eu não sei explicar. Quando você me abraça ou seca minhas lágrimas ou faz miojo pra mim quando eu tô com fome... eu sinto uma leveza tão grande, sabe?
do que coisas idealizadas estilo Disney do tipo "eu vou te amar pra sempre; você é minha vida; sem você eu não respiro". Talvez pareça indelicadeza da minha parte, mas se alguém chega me dizendo isso, numa mesinha de bar, 1) eu ficaria com medo e 2) eu pediria pra passar o ketchup. 

O porquê de eu estar falando isso? Porque em Dois Coelhos, o amor que tem é inspirador. É justamente esse amor cotidiano, verdadeiro, que me anima e me prende aos filmes que assisto. 


Mas o amor é só uma gotinha perto do enredo todo. Acho que esse filme é uma mistura de Amélie Poulain com Cidade de Deus, pra vocês terem uma ideia. É bom terem um pouquinho de sangue frio (deixo a dica).

"A morte cria um sentido pra nossa vida. Mais importante que isso, a morte cria um valor especial para o tempo. Se o nosso tempo nessa terra fosse indeterminado, a própria vida perderia o sentido e muito provavelmente estaríamos com a bunda de fora e com uma lança nas mãos. A morte é o agente mais poderoso da natureza, ela vem para levar o velho e abrir espaço para o novo. O nosso esforço para evitá-la e fazer de nossa curta estadia aqui algo minimamente memorável é inútil. Só existe a vida porque existe a morte."

TRAILER: 



Meu perfil no FILMOW


Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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