Hoje eu gritei

30/09/2014

Eram 7 horas de manhã quando acordei naqueles dias que eu podia ter tirado para treinar pra morrer, tipo um #aquecimentomorte, sabe? 

EIS UM FATO: 
não gosto de ser acordada
principalmente quando eu tô num estágio profundo de sono, conhecido como sonho
e mais ainda quando o sonho é realista, porque eu acordo confusa, perdida, meio Hamlet ser ou não ser eis a questão tudo sem vírgula.

obs: nem se for fofamente com café da manhã, porque a vontade que me dá é de matar a pessoa afogada na caneca de leite. 




Não obstante ter sido acordada, pressenti que o dia não ia ser bom, mas eu tinha que viver, né, então #partiuviver. Passei o dia com uma cara de ontem, cara de paisagem, cara de origami. Tentei sorrir, dançar, ficar com os olhinhos brilhando cheios de alegria e pa, mas não deu, hoje não dava.  Guardei as coisas que me incomodaram e deixei sair de mim só o que eu achei conveniente. Escondi sentimentos que eu não tava afim de dividir, porque são ruins e ficariam piores se eu compartilhasse. Simplesmente levantei a bandeirinha branca e disse pra mim mesma: permita-se ficar na sua bad, em paz.

Até o discurso deplorável do candidato Levy sobre a homofobia eu vi, engoli e vomitei. Saber que existe alguém como ele e, pior ainda, saber que existem pessoas que concordam, apoiam e aplaudem o que ele disse me faz desacreditar ainda mais em segundas-feiras chuvosas. Cara, na boa, se você concorda com uma filha da putice dessa, por favor, CLIQUE AQUI.

Mas não é sobre candidatos homofóbicos que acreditam inocentemente que o cu faça parte do sistema excretor que eu vim escrever hoje. 

Então a noite chegou, trazendo consigo tudo o que eu tinha guardado. Vraaaaa na minha cara. Vieram todas as inseguranças, os medos, as aflições, as ansiedades, os arrependimentos, as dores e tudo isso aí que não foi usado na fabricação das Meninas Super Poderosas. Mas eu tinha que estudar embriologia e não tinha compreendido nem o final do caralho da gástrula... eu tentei guardar tudo isso numa panela aqui dentro, mas a tampa não aguentou e tudo explodiu na minha cara. 

De repente eu me vi catando tudo o que tava no chão e tentando colocar na panela de novo, sabe, pra esconder de novo e fingir que não existe. "Uma hora a gente acaba acreditando que nada disso existe mesmo", era o lema. Até porque, palavras são invenções da gente que jamais expressarão o que a gente quer dizer. E quando expressam, muitas vezes, acabam chegando de um jeito diferente aos ouvidos de quem nos ouve. Pra que compartilhar quando se pode guardar tudo?

Mas haviam partículas muito pequenas as quais foram impossíveis pegar. Quanto menores, mais complicada a tentativa de captura e, quando me dei conta, notei que as minúsculas eram justamente as que mais me incomodavam - e as que eu mais queria que sumissem.

Não aguentei. Não dava pra guardar tudo pra mim. Peguei um amigo pela gola do whatsapp - um carioca-jornalista-rico e famoso que tá sempre no Leblon,  - e desabafei. Junto com as palavras saíram lágrimas e eu me senti muito besta, mas continuei, falando, chorando e, se tivesse, estaria também comendo chocolate. Falei tudo. Coisa com sentido, coisa sem nexo algum, assuntos que não se cruzavam, mas que, de alguma forma, foram entrelaçados pelo carioquinha em questão e tudo ficou mais leve. Consegui entender a blástula, a gástrula, a nêurula e saquei qualé desses folhetos germinativos. 

É óbvio que em alguma noite de segunda-feira isso vai voltar. Não sou bobinha o suficiente pra acreditar que uhu passou, tá tudo ótimo, porque não é bem assim. Talvez as informações que eu queria passar não foram entendidas perfeitamente ou talvez tenham sido e eu não tenha percebido, mas cara, dane-se. É muito bom ter com quem contar. Saber que a gente não tá sozinho, sonhando sem rumo, nem que a gente é o único idiota que quando tá triste se imagina num clipe com o vento entrando na janela da sala e bagunçando o cabelo. Sendo da maneira certa ou não, é inexplicavelmente bom poder dividir isso com quem amamos. Não adianta guardar tudo pra gente e achar que sozinhos vamos conseguir resolve ou sei lá, que já tamo tão fodido nessa vida que nada mais vai adiantar ficar desabafando. Se a gente não grita, uma hora a tampa da panela cai no chão.


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1 comentário (s)

  1. É, tem dias que a gente não se aguenta e não aguenta tudo que a gente carrega, né? Tenho tido muitos dias assim, adiando a vontade de explodir!
    Adoro o que você escreve!
    :*

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