O tal do verbo intransitivo

07/09/2014



Não, eu não tô de boa e não tenho que ficar dizendo que tô só pra parecer legal. Eu tô cansada, é isso. Cansada de criar expectativas sob coisas que não vão acontecer. Não estou disposta a lutar por esses pequenos detalhes sozinha. A gente joga uma pedra e espera ela voltar. Eu esperei voltar. Esperei muito.

Ela nunca voltou.

Quando pareceu voltar, foi apenas miragem. Algumas horas talvez, aproveitando aquela alegria que é amar e não se envergonhar disso. Porque diante desse mundo cheio de coisa podre, eu ainda tenho razões pra amar. Se você, que tá aí do outro lado lendo esse texto, acha que isso é bobeira, desculpa. Eu não acho.

Não quero chegar pros meus netos dizendo que vivi tudo pela metade, com medo de ir até o fundo e me afogar. Quero dizer que amei, que chorei, que gritei, que ri, que pulei, que me permiti sentir tudo o que a vida me ofereceu. Não digo sair por aí com 90% de álcool no sangue, fazendo coisas loucas. Claro que terei essas lembranças também, porque faz parte dessa caminhada, mas eu me refiro às coisas que a gente faz sóbrio, porque a gente quer e teve coragem de fazer. 

Quero chegar pra alguém daqui a um tempo e dizer, sem efeitos de substância alguma, sem maquiagem e sem medo que sim, 'eu te amei'. Talvez ainda reste alguma coisa desse sentimento, mas a realidade não estará moldada de maneira que o permita se expressar. Estarei em outra dimensão, com outras vontades, com outro foco, em outra cidade. 

Pra'queles que dão risada de textos como esse, talvez essas palavras todas sejam exagero. Talvez, pra esses, isso tudo não deva ser dito. A esses, eu ofereço uma xícara de café, que tomarei sozinha no pé da estrada, e digo que nada disso surgiu de repente. Eu acumulei. E tá me doendo continuar acumulando. Tudo isso é culpa da minha falta de coragem em me expressar; de desistir desses sentimentos no primeiro sinal vermelho; de achar que vão rir da minha cara de se eu falar que não vejo tal pessoa só como amigo. 

Bebam, bebam o café que eu ofereci. Olhem pra mim, mas olhem mesmo: não estou disposta a viver história de amor igual a essas que a gente vê no facebook, com direito à mudança de status; tenho uma preguiça do caralho de ficar mandando/recebendo sms perguntando onde e com quem eu tô; dá ranso de imaginar alguém sofrendo porque eu quero sumir de vez em quando; mas acredito no amor.

Acredito no amor porque tenho consciência suficiente pra saber simplesmente que nada disso tem a ver com amor. Facebook, sms, joguinhos sentimentais, cara feia, eu não tenho vontade alguma de passar por isso. Quero viver a essência desse sentimento. Expressá-lo da maneira mais sincera e pura possível. Mas hoje eu acordei e percebi que sozinha eu não posso fazer isso. Não culpo ninguém por isso. Nem meu passado, nem passados alheios, nem nada. É o tempo, a vida, os átomos e sei lá mais o quê que controla essas coisas e eu não posso me sentir mal só por ser incapaz de compreender tudo isso. Então larguei de mão.

Amanhã pegarei o ônibus das 9h, pro Rio de Janeiro, e a vontade que eu tenho é não voltar. Um dia, como tantas outras vezes, essa mistura de magia com ligações covalentes e hormônios da alegria vai ir embora. E enquanto isso não acontece, não vou odiar o amor. A culpa não é desse sentimento que nós, humanos, apelidamos de a-m-o-r. 

Talvez a outra ponta dessa história nunca tenha consciência disso tudo que eu acabei de dizer, mas não vai mais importar. Eu estarei longe. E dessa vez sem passagem de volta. 



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3 comentário (s)

  1. Acho que falta gente como você, cara. Que quer amar por amar, pra aproveitar, pra sentir e conhecer a beleza completa desse sentimento. Admiro muito isso e às vezes queria conseguir ser tão pura assim, sem o ficar mal quando o outro quer sumir, sem as mensagens o tempo inteiro, sem a parte possessiva e meio burra do "amor". Te desejo muito boa viagem porque o Rio é o lugar mais lindo do mundo, e que sua pedra volte qualquer hora, como quem não quer nada. Beijinhos. :)

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  2. Ei, eu escrevi um puta comentário aqui, mas antes de enviar, precisei reler suas palavras e senti uma vontade louca de apagar tudo, pois o que eu senti em suas palavras, talvez uma possível causa e solução para organizar o desorganizado e vice-versa, pode ser resumido de uma forma breve e única: Viva o momento, viva o carpe diem.

    Espero que seja o bastante para chegar ou ir além do que eu sobre essa reflexão.
    Passe bem!
    xoxo
    :)

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  3. "não estou disposta a viver história de amor igual a essas que a gente vê no facebook, com direito à mudança de status;", tipo cara, simplesmente minha cara. Bom, primeiramente "Oi Manie, tudo bom com você?" Só pra não parecer que eu sou uma maníaca e que comprei uma passagem pra Santos e vou te sequestrar e te manter em cárcere privado e vamos ser felizes para sempre... pode respirar, eu deixo, porque eu não sou maníaca e nem tenho dinheiro pra ir pra Santos kkkkk.
    Então cara, eu já venho um bom tempo acompanhando seu blog, e cá entre nós, eu amo isso aqui ; não sei descrever em palavras o que eu sinto quando tô de rolê por aqui, mas já que você ofereceu um café eu aceito, e trouxe até umas torradinhas pra compartilhar com você. (esse comentário vai parecer uma bagunça e você com medo talvez vai nem responder e eu talvez perdi até o foco do comentário em si). Mas de verdade, de todos os seus textos - que por sinal eu amo eles -, não sei porque, esse foi o que eu me identifiquei mais, foi como se eu tivesse lendo meu diário e alguém tivesse violado minha privacidade e postado na internet e MEU DEUS sabe ? Então é isso. Bom final de semana Manie, e eu amo seus textos, na boa. E ah, o café tava uma delícia, obrigada.

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