Sobre o tal do Carpe Diem

25/09/2014



Hoje, enquanto descia do ônibus e andava até minha casa, parei pra refletir sobre as coisas profundas da humanidade. Não, dessa vez não foi sobre o que eu comeria de janta, porque eu me empanturrei de amendoim (era um verdinho... acho que era de cebola e salsa, sei lá, muito bom). O fato é que pensei sobre aquelas coisas que não fazem mais parte da nossa vida e tirei algumas conclusões.

A gente costuma sofrer porque algo acabou, seja porque nos mudamos de cidade, ou porque nos formamos na escola, ou porque terminamos um livro, enfim, é difícil aceitar que algo que amávamos viver simplesmente não existe mais no presente. Só que, parando pra raciocinar sobre isso, notei que muitas das vezes que sofri por coisas que acabaram, eu me prendia ao passado. Tipo, o que me fazia sofrer não era o futuro, mas o que eu já tinha vivido de bom a respeito daquilo, junto com todas as memórias que tal coisa deixou no meu coração, bem como os cheiros, os sabores e farelos de sensações. 

Quando me dei conta disso, ficou menos pesado sentir essas perdas. Percebi que não adiantaria continuar insistindo em coisas que não serão mais como foram um dia, seja há dois meses ou cinco anos. Cara, não adianta você sentir falta da época da escola e ir lá depois de formado, acreditando que vai vivenciar todas as sensações que ficaram no passado. Não vai, não vai. Face it. 

Experiência é o seguinte: tu vive uma vez. Você pode voltar no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, com a mesma roupa, ouvindo a mesma música, mas não será igual. Não adianta insistir. Tentar controlar essa volta impossível ao tempo só piora a nossa insatisfação com presente. Pra que se sentir infeliz por não viver mais aquilo, se quando, muitas vezes ao viver aquilo, a gente sofria por não viver outras coisas? E quando respiramos 3 vezes e refletimos sobre isso, acabamos com uma mala pesada, cheia de memórias que não vivemos direito, pensando em como era melhor viver outras coisas no passado.

Por isso, desde a virada do ano, tatuei Carpe Diem nas minhas hemácias. Um dia após o outro. Uma quarta-feira chuvosa vendo sessão da tarde após a outra. Um rolê maneiro com os amigos após o outro. Uma madrugada estudando após a outra. Retomar essa força do carpem diem só me faz acreditar cada vez mais na força de cada momento e aproveitá-lo. 

Não, eu não tenho uma bola de cristal e definitivamente não sei o que vai acontecer na minha vida daqui pra frente, nem mesmo o que vou tomar no café amanhã. Tenho planos que me movem, me dão gás, me animam, e muitos já realizei, por mais impossíveis e loucos que parecessem. Mas a partir do momento que aprendi a dar valor a cada instante, a cada abraço, a cada café, a cada troca de confiança, a cada risada, a cada lágrima, a cada tudo, me senti mais forte. 

Aceito que nada será como um dia já foi. Pode ser que eu viva coisas parecidas, melhores ou piores, mas nunca iguais. Cada amanhecer vem acompanhado de uma nova dose de experiências, mesmo que seja passar o dia estudando, ouvindo Radiohead e deprê porque o arroz queimou. Vamos abraçá-las. Não tô falando isso porque acho que o mundo é lindo não, porque, queridjiiinhos, tá na cara que ele não é. Só que eu tô aqui. Você também. Vamos fazer valer a pena. 

Isso não é um texto de auto-ajuda. Essa é uma gota do meu copo de suco. E nesse suco, as moléculas são de saudade, mas uma saudade boa, daquelas que não nos fazem ficar tristes por não viver mais o que já passou, mas daquelas que nos fazem acreditar que ainda tem algo muito melhor por vir. 

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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