Até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei

11/10/2014



Hoje não é dia dos namorados, nem natal, nem aniversário de nenhum de nós dois, mas baixei o santo da inspiração e cá estou eu, esperando o brigadeiro que eu vou enrolar - e levar pra aula amanhã - esfriar, entre os berros do meu irmão jogando Call of Duty e a voz do Amarante cantando Último Romance.
"Eu encontrei e quis duvidar

Tanto clichê, deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor (...)"
Foi rápido. Ou não. Ou sei lá como o tempo é medido. Só sei que quando eu vi, tava com um anel de hippie no dedo, que a gente resolveu chamar de aliança. Não fizemos nada k@bul0$o pra falar pro mundo que a gente tava namorando. Foi só perguntar no whats e pronto. Simples. Assim como é o que a gente sente um pelo outro. 

Hoje, quando eu acordo, geralmente com o rímel se transformando em sombra nos meus olhos, olho no celular e vejo seu bom dia - já que você sempre acorda antes de mim. Eu leio aquilo como se estivesse recebendo um abraço seu e acordo me sentindo leve. Fico rindo sozinha, cantando Beyoncé pela casa, rindo até pro gráfico da função y=5x²+4x+3. Sem me preocupar em entender isso ou aquilo, decifrar nada, simplesmente viver.

Sabe, marcar de te ver numa quinta à tarde e você vir aqui e eu estudar eletroquímica enquanto te vejo dormir abraçando meu joelho esquerdo (tudo assim, sem vírgula mesmo). Dançar com você como se a gente tivesse a idade das fotos que estão estampando nossos avatares no facebook, nas festas do Rolidei. Viver cada bom dia, cada abraço, cada sorriso, cada bicicleta roubada, cada pôr-do-sol bebendo vinho barato, cada ida até o ponto de ônibus dividindo o guarda-chuva, tudo isso como se fosse a última vez, pra nos lembrar de sentir cada um desses momentos da maneira mais intensa possível.

Do futuro a gente não sabe. Nem queremos saber. Talvez dê até um pouquinho de medo de saber. Talvez te mandarei cartas, de Minas ou Florianópolis - é sério, não é poético, tipo, eu realmente mando cartas pras pessoas e você sabe disso - e você me mandará seus desenhos mais bonitos (podem ser velociraptors cheios de sangue, eu amo). Talvez eu te veja de beca, pegando seu diploma de aluno formado em Artes Visuais. Talvez você seja cobaia para minha primeira entrevista jornalística. Tudo é um talvez, porque nada disso a gente tem em mãos.  

Mas, ao mesmo tempo, alguma coisinha lá no fundo, escondida nesse tal de futuro, me incentiva a continuar te mandando boa noite, pegando sua mão, bagunçando seu cabelo com meu cafuné irregular, te escrevendo textos assim. Algo que eu não sei o que é, mas que me inspira a estar com você hoje.

Você reabriu uma parte do meu coração que há muito tempo esteve fechada; me fez e me faz sentir o que eu não pensava em sentir nunca mais; me provou que nada disso cortaria minhas asas... muito pelo contrário: impulsiona a cada dia os meus voos mais altos.

Não sei o que estaremos fazendo no dia 6 de abril, nem no dia 23 de junho ou mesmo no dia 11 de outubro do ano que vem. Isso não me importa. Tá longe. Quero viver o que tá perto. E hoje, nesse momento, à meia noite e quarenta e dois de um sábado, me sinto feliz por ter reparado no quão perto você tava. 



"(...) E ir aonde o vento for

Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar."

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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