Depoimento da 01:24, de uma segunda-feira

27 de outubro de 2014


Precisava de alguém pra me ouvir, daí lembrei que eu tinha blog. Eu já tô indo deitar, porque tô numa luta muito grande pra passar nesse bendito vestibular. Passei a tarde estudando Química hoje e já fiquei meio na nóia porque tô me lascando nesses exercícios de reação orgânica. 

Eu sabia que uma hora eu ia explodir. Não que eu estivesse depressiva, não é isso, mas é muita coisinha que vai juntando e sufocando, tá ligado? Me aventurei em ler comentários sobre as eleições que apareceram na minha timeline e só li ofensas, gente xingando gente, pensamentos copiados e o mesmo blablabla de sempre. Pra mim, isso não é discutir política. Não adianta usar os mesmos argumentos e não levar pra própria vida a mudança que tanto exige no Executivo. Vamos nos respeitar. Mais amor, mais amor...

E aí bateu desespero. Pensei que faltam poucos dias pras provas e, se tudo der certo, pouco tempo pra eu ir embora. DÓI falar disso. Desculpa se tu é desprendido (a) e acha besteira o que eu tô falando, mas eu não sou. Posso desapegar de muita coisa, mas tem outras que machucam. Parece aquele band-aid que grudou no joelho ralado, sabe? Tem que fechar os olhos e puxar rápido, mas fica com medo e continua cutucando a ferida, com medo que a velocidade machuque mais.

No começo do ano, eu tava desprendida. Falei que ia sair de casa, da cidade, pegar minha mochila e ir, seja lá pra onde fosse. Ia estudar, conhecer gente nova, me libertar de um monte de coisa. Mas tanta coisa aconteceu em todos esses meses, que a minha força pra continuar com a mesma determinação tem que se atualizar e se dobrar a cada manhã que eu acordo. Conclui que o fato de eu estar tão desapegada no começo do ano não era sinônimo de mais maturidade: era sinônimo de que eu não tinha nada pra me desapegar.

Agora eu tenho, especialmente uma coisa. Uma coisa que eu sempre quis viver e tô fazendo de tudo pra senti-la intensamente, a cada dia que passa. Uma coisa que tá me fazendo um bem danado, que me faz pegar a bicicleta num fim de domingo e pedalar até o canal 5 só pra jogar vídeo game e comer pipoca. Eu não devia pensar nisso, mas eu tô pensando. Meu coração se aperta, cara, porque pela primeira vez nessa vida eu encontrei alguém com quem vale a pena estar junto - assim, falando de amor. Parece loucura, mas não é. Eu tenho 20 anos. Quero me permitir viver tudo o que eu puder, principalmente a parte boa dessa vida. Não quis abdicar de algo por causa de um futuro que eu nem sei como vai ser. Ter isso em mente me conforta, me clareia o caminho, me acalma, me retoma o sentido do tal do Carpe Diem.

Espero poder sentir cada segundinho desses dias e que essa tortura psicológica logo passe. Espero mais ainda poder fazer dessa determinação, que tá sendo tão difícil manter, sirva como inspiração pra muita gente... e que ela seja o gás que a gente precisa, diante do fato confuso e inexplicável que é simplesmente estar vivendo



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4 comentário (s)

  1. Olá Manie :)
    Achei lindo e sincero seu post, mas confesso que a frase que mais me marcou tava lá no inicinho e nem tinha muito a ver com o tema central do texto: "Precisava de alguém pra me ouvir, daí lembrei que eu tinha blog." Achei sensacional, hahahaha!
    Beijo beijo!

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    1. é tranquilizador saber que tenho o blog... porque nem sempre a gente quer ouvir, sabe? basta falar, escrever, gritááá!

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  2. Também achei a primeira frase sensacional ahah, mas isso não vem ao caso.
    Menina acho que esse troço de blogosfera acaba vinculando as pessoas de um jeito meio estranho e mistico. Hoje por exemplo a Patricia do Mil Pétalas almoçou a receita que eu tinha agendado para postar hoje, antes de ler o meu post. E agora, eu venho aqui e te leio falando sobre desapego e sair de casa pra estudar, sendo que ontem agendei um post justamente sobre esse "antes e depois" de eu viajar à 8000km do meu ninho.
    Sim, estou nessa de agendar posts enquanto não acho uma solução de logistica (vulgo computador novo).
    E bom, esse é aquele tipo de post bem pessoal e meio abstrato pra quem não ta vivendo a coisa, sei como é. Mas, se de alguma forma puder ajudar/fazer refletir/sei la, saiba que o nosso destino sempre encontra seu proprio caminho. Eu namorei um ano à distância, e agora estamos à um ano juntinhos novamente, separados apenas por 5 estações de metrô. Sei que cada vida é uma vida. Mas quando disserem por ai que certas coisas são impossiveis, bem, não acredite.
    Des bisous Manie ! (ja viu o ultimo post de wallpaper da sernaiotto.com ? so pensei em tu!)

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    1. oun <3 obrigada por dizer o que disse... apesar de estar sem computador, sempre dá um jeitinho de vir aqui e meu deus, como eu amo suas visitas!

      mesmo que eu já tenha postado sobre o tema, posta tambémmm... eu ia adorar ler
      8000km KOROOOOLHO
      sabia que era longe, mas quando bota assim, em números, dá um negócio

      ps: sobre esse wallpaper: ♥♥♥♥♥♥♥♥

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