Pra ler rapidinho: Juiz de Paz na Roça

29 de outubro de 2014

Eu gosto muito de ler, mas no tempo que eu tenho pra fazer isso, tô aproveitando pra ler os livros pedidos nos vestibulares (de vez em quando ainda arrisco algumas páginas de Se eu ficar, mas é sempre uma segunda opção). Na lista das obras pedidas pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), está Juiz de Paz na Roça, do Martins Pena. Se você também tá com um ritmo de leitura mais devagar e quer ler algo simples, rápido e, em algumas partes, divertido, super aconselho a leitura desse livro. Li pela internet, entre um gole e outro de café.

Na verdade, trata-se de uma peça. Como eu sou apaixonada por diálogos (tenho náuseas de parágrafos longos só de descrição), foi bem tranquilo me deparar com essa trama. Já tive uma experiência parecida ao ler Eles não usam black-tie, do Gianfrancesco Guarnieri (clique aqui para ler a resenha) e não me decepcionei. 

Dentre as poucas personagens, está Manuel João, trabalhador de família pobre que se vê obrigado a prender um rapaz, sob ordens de um Juiz de paz. Esse Juiz é um cara esperto, que abusa do seu poder para tirar proveito da inocência do povo da roça. O danado, além de tudo, ainda ganha presentinho de gente que, cegamente, o venera: "Tomo a liberdade de mandar a V. As. Um caicho de bananas maçãs para V.S.a. comer com a sua bôca e dar também a comer à Sra. Juiza e aos Srs. Juizinhos".

Apesar de ter como contexto o século XIX, o livro tem uma linguagem muito objetiva e clara. Há bastante uso de expressões próprias dos roceiros, dando às cenas um ar bem coloquial. Em alguns momentos, há uso proposital de ambiguidade, para gerar tom certo tom de humor:
JUIZ - (ASSENTANDO-SE) (...) Sr. Escrivão, Leia o outro requerimento.
ESCRIVÃO - (LENDO: ) Diz Francisco Antônio, natural de Portugal, porém brasileiro que tendo êle casado com Rosa de Jesus, trouxe esta por dote uma égua. "Ora, acontecendo Ter a égua de minha mulher um filho, o meu vizinho José da Silva diz que é dêle, só porque o dito filho da égua de minha mulher saiu malhado como o seu cavalo. Ora, como filhos pertencem às mães e a prova disto é que a minha escrava Maria tem um filho que é meu, peço a V.S.a mande o dito meu vinho entregar-me o filho da égua que é de minha mulher"
No meio dessa z0eir4 toda, pasmem, tem história de amor! Acontece que o 'delinquente' que Manuel João é encarregado de prender é justamente José, rapaz com quem sua filha mantinha um romance às escondidas. E agora, José?

Escrevi essa pequena resenha como forma de fixar um pouco mais a obra. Agora é esperar e torcer pra conseguir interpretar o que me for cobrado, dias 13, 14 e 15 de dezembro. Florianópolis, aí vou eu!

PARA LER, CLIQUE EM BATATA-FRITA

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Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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