3 motivos que me fizeram assumir meus cachos

12/11/2014

I. por cansaço, preguiça e falta de paciência em passar quase 2 horas alisando toda vez que lavava;
II. por preferência em investir em outras coisas (especialmente: viagens, provas do vestibular);
III. por me sentir bem melhor sendo o mais natural possível. 


Quando eu alisava meu cabelo, não gostava de me sentir pressionada a assumi-lo ao natural (ficava puta). Até gostava de cachos, mas com a raiz lisa. DAÍ, há algumas semanas, meu parâmetro de beleza mudou. Na verdade, ele desabou. E hoje, telespectadores, faz exatos 19 dias que eu não encosto chapinha nesses fios que cromossomos de mamãe e de papai me deram. 


A IMPORTÂNCIA DO INCENTIVO AOS CACHOS/CRESPOS NA INFÂNCIA

Você não pode bombardear uma agência de comerciais de shampoo com todos aqueles Photoshops - isso é uma pena -, mas pode perpetuar a ideia de que cabelos crespos e cacheados são bonitos também. 

Incentive as crianças a usarem seus cabelos como são e se sentirem bem com eles. Não zoe, não faça gracinhas, não seja um idiota. As garotinhas cacheadas/crespas de 8 anos já estão muito acostumadas a verem seus fios como algo feio porque a mídia impõe um padrão que elas nunca vão ter. Já tão cercadas por Barbies e princesas da Disney que tão aí pra provar isso. Em desenhos e seriados infantis, a menina de cabelo crespo é sempre aquela figurante, que nunca aparece - e geralmente sofre bullying (uau, quem quer ser ela na brincadeira?). 

Quando eu era pequena, vivia botando toalha de pano na cabeça pra fingir que era meu cabelo. Isso não é bonitinho. E me dói ver isso se propagando hoje em dia, porque gente ridícula (na revolta aqui, mals ae) fica apontando dedo na cara de menininhas e menininhos falando que eles são feios por não terem fios lisos. Parem com isso!


A FRASE MAIS AMBÍGUA DO MUNDO:

"Aliso porque meu dia-a-dia fica mais prático". 

Vale mesmo a pena gastar tanta grana em formol, gente? Será mesmo que é tão mais prático assim? Por que não investir em cremes de hidratação, cortar as pontinhas ressecadas, passar óleos, e, até mesmo, receitinhas caseiras com produtos naturais? 

Não é prático alisar o cabelo. Nunca foi. No primeiro mês da sua progressiva pode até ser, mas quando a raiz começa a crescer, você sabe que não é. O que tá dentro de você nunca vai sair daí. Vai brotar quando menos esperar. Até que um dia você vai se sentir bem o suficiente pra não precisar mais esconder isso. O nome dessa matéria é genética, capítulo fenótipo VS genótipo. 


JÁ TENTEI ABANDONAR AS QUÍMICAS DE ALISAMENTO ANTES?

Sim. Vendo vídeos de cacheadas no Youtube, posts incentivadores em blogs (como esse) e alguns comentários positivos, acabei tendo vontade de parar de alisar. Tentei várias vezes, mas sempre me rendia ao salão e fazia selagem (com formol) ou mesmo ao secador e chapinha. Mesmo alisando, eu confesso que até cuidava e tal, mas tinha dia que eu tava cansada de alisar, gente. 

É chato ter que acordar mais cedo pra esticar o cabelo. 
É chato ter que ficar alisando o cabelo enquanto os amigos tão na sala, esperando você terminar de se arrumar, pra dar os rolês. 
É chato ter que ficar do lado de fora do mar, da piscina e da cachoeira pra não molhar o cabelo.
É chato você ligar pro hostel/pousada/casa do amigo quando vai viajar, pra saber que tipo de tomada tem lá ou se tem secador/chapinha.
É chato levar esses objetos do item anterior na mala.

Esses motivos não eram suficientes pra eu parar de alisar meu cabelo. Podia até assumi-los, numa tarde de quarta-feira, mas no fim de semana, antes dos rolês, lá estava eu, puxando mecha prum lado, franja pro outro, tomando goles de paciência. Eu não me achava bonita, nem atraente, com raiz crespa. 


COMO CONSEGUI ME ACEITAR?

A última vez que fui no salão foi no final de abril, desse ano. Eu retornaria em agosto, mas usei o dinheiro que ganhei pra fazer minha tatuagem. Então, retornaria ao salão agora, em novembro, porque meus pais só conseguiriam essa grana extra nesse mês, já que eu ainda não tava trabalhando. 

PORÉM, num dia de semana, enquanto eu estudava pro vestibular, comecei a refletir sobre algumas coisas. Em dezembro, viajarei pra outro estado, pra fazer algumas provas (e isso custa dinheiro!). Não achei justo exigir dos meus pais uma grana a mais pra alisar o cabelo. 

Daí deixei os livros no sofá e fui até o banheiro, me olhar no espelho. Nesse momento, resolvi lavar o cabelo e fazer ele ficar legal sem precisar pranchar. Cara, foi a melhor coisa que eu fiz na vida! Quando ele secou, me senti bonita, pela primeira vez, sendo natural. Já me sinto ótima por não depender de maquiagem e, agora, mais ainda por poder dançar na chuva, mergulhar, viajar, dormir e acordar, sem preocupação desnecessária com meus cachos. 

Botei meu cabelo pro lado. Os cachinhos sorriram de emoção. A raiz saltou com suas curvinhas. Pensei em lenços, em grampinhos, em penteados legais, cóques altos e bagunçados, em cabelo volumoso, em tudo isso. E eu disse, mentalmente: vai ter cacho e vai ter raiz crespa sim!


CONCLUSÃO:

A mudança e a aceitação começa dentro de você. Não adianta passar um dia vendo vídeos e lendo textos como esse, porque eles sozinhos não tirarão sua chapinha das suas mãos. Um dia, cara, você vai se olhar no espelho e se sentir bonita (bonito, se você for hómi), feliz e o melhor: leve. É uma leveza sem explicação, gente! Como eu queria que isso se espalhasse no coração de cada um de vocês...

Não adianta você pegar dicas e se achar feia/o ao olhar seu reflexo. Reflita sobre tudo isso ao acordar, ao viver o dia e ao ir dormir. Não é mais encantador ver alguém no ônibus que se assuma e se sinta confiante com seus cachos/crespos, do que alguém que, com certeza, alisou o cabelo? Eu não sei vocês, mas gente que se assume me passa mais confiança, mais força, mais personalidade, e, sem dúvida, mais autenticidade. Não estou dizendo que só o cabelo defina o caráter de alguém, longe disso. Mas partindo da sua aceitação e, como consequência, da sensação de liberdade e leveza que isso traz pra você, não tenho dúvidas de que essa energia cativará as pessoas ao seu redor, especialmente aquelas com quem vale a pena conviver.

Há tanto livro pra ler, tanto abraço pra dar, tanto ônibus de viagem pra pegar, tanta comida pra experimentar, enfim, tanta coisa boa pra viver, que eu prefiro gastar um tempo, depois do banho, amassando meus cachos, do que um tempããão, a vida toda, torrando eles. 


Aceite-se.
Liberte-se.

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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