Sobre fazer novos amigos e ser zoado na internet

28 de abril de 2015

Sempre fui muito chata pra fazer amigos. Não aceitava convite pra conhecer novos lugares, me prendia a velhas amizades, comparava novas pessoas aos antigos amigos e nunca achava válido desenvolver um relacionamento afetivo (leia-se amizade) com os tais novatos.

(eu e uma miga que cantou e dançou comigo na última sexta-feira e não teria cantado nem dançado se eu tivesse ficado em casa vendo novela)

Até que eu quebrei todas as barreiras que me impediam de conhecer gente nova. Passei a aceitar convite pra tudo quanto era lugar, desde aulas de teatro do amigo até estudar no apartamento da colega de classe no cursinho. Chamei gente que eu não conhecia pra ir no cinema, pra ir em show de banda que eu nem conhecia, pra tomar café comigo em casa, enfim, me permiti. Quando percebi, eu tinha mais que novas pessoas pra sair: eu tinha amigos que iam me fazer sentir saudade quando eu me mudasse pra Floripa.

Uma dessas pessoas foi o Gaví. Conheci essa criatura há pouco mais de dois meses, no show do Silva, mas parece que nos conhecemos há anos. É uma pessoa daquelas que a gente bate o olho e fala "this bitch is gonna be my migo".

Nossa amizade começou com algumas identificações. Numa dessas madrugadas de insônia, ele veio me falar de uns amigos que zoaram ele na internet. Até então, eu nunca tinha passado por isso, então fiquei meio sem saber o que falar, mas meus conselhos mega clichês - porém sinceros - deram certo. E alguns dias depois, postando nossas piadas internas um na timeline do outro, fui pega de surpresa: dessa vez era eu que tava sendo zoada na internet, por alguns amigos. 

Fiz a Maísa, tasquei-lhe o Evanescence pra tocar e chorei sangue. Desculpa sociedade, mas essa é a minha maneira de me decepcionar. Eu choro até vendo Marley & Eu... Por que não choraria com algo tão decepcionante?

Bom, cheguei pra Gaví e contei o que houve. Agora foi a vez dele de me aconselhar, me animar. E, de repente, aquela pessoinha de boina, no show de um cantor que eu adoro, virou importante pra mim de um jeito muito especial. Nossos desabafos passaram a ser ainda mais descontraídos e a gente começou a tacar o foda-se pra tudo o que faz a gente mal. Obrigamos um ao outro a apagar todas as pessoas que nos acrescentavam coisas negativas das redes sociais e hoje só cultivamos quem realmente importa em nossas vidas.

Essa é uma dica pra quem tá passando por algo semelhante: cara, deleta. Não fica alimentando esses comentários, essas zoeiras sem fim. Sei que pode parecer maneiro esfregar na cara das pessoas que nos querem mal o quanto a gente tá sendo feliz sem elas, mas não vale a pena. A vida fica muito mais leve quando a gente desapega do passado, das histórias, dos momentos e passamos a enxergar coisas novas na nossa frente. Nem sempre quem fez parte do seu passado de alguma maneira necessita fazer parte do seu futuro.

Nunca fui de ter inimigos, porque sempre me aproximei de quem eu achava que valia a pena. Porém, em alguns momentos, a gente percebe que nem todo mundo merece estar ao nosso lado. Cada um vai seguindo um rumo diferente e quem escolhe as pessoas que você quer ao redor de si é você mesmo.

Se eu sinto raiva? Cara, se eu te falar que essa é a última coisa que eu sinto, vocês acreditam? Eu tenho passado por alguns problemas bem chatos na vida e quando isso aconteceu comigo eu desabei, porque foi o ápice naquela hora. Só que no dia seguinte, os problemas reais com os quais eu precisava me preocupar bateram na porta e eu notei que aquilo tinha sido insignificante a nível da vida que tenho levado.

Enquanto tinha gente perdendo tempo falando mal do meu cabelo, dos meus sonhos, do meu jeito, do meu modo de me vestir (sério, foi sobre isso que falaram mal, podem acreditar), eu lembrei que tinha avós que estão chateados por eu ir embora, problemas em casa, amigos que passaram por perdas difíceis e, claro, o desapego que eu vou ter que ter daqui a dois meses, quando eu mudar de Santos pra Florianópolis.

No final de tudo isso, percebi que aquele ódio todo que criaram de mim não teve razão. Eu não fiz algo que afetasse a vida daquelas pessoas a ponto de receber aquela chuva de comentários maldosos de volta. Como um deles me disse, foi simplesmente um modo de desabafar. Eles "precisavam falar". Por isso eu não sinto raiva, cara. Eu sinto pena do que eles são capazes de dizer pra quem quer que seja, tanto faz se é alguém que cresceu com eles ou se é a prima da vizinha. É algo que os preenche de alguma maneira que eu nem sei explicar e, se preenche, é porque tem algo vazio dentro deles. Talvez nunca parem de fazer isso, mas eu não vou estar mais perto pra ver.

Torço pra que num futuro não tão distante, eles possam olhar pros celulares deles e perceber que aquilo destrói amizades; destrói passados que foram especiais na vida da gente. Basta voltar aos 13, quando a única graça da vida era botar My Chemical Romance no último volume e passar a tarde toda nos tópicos do orkut, compartilhando alegrias e tristezas. Hoje isso não é importante porque pro ser humano tudo o que não faz parte do presente não é digno de respeito. Aqueles dramas da adolescência hoje, pra pessoas de 21, 22, 23 anos, são bobagem. Só que a gente cresce. O tempo passa. E tudo o que temos, quando paramos pra refletir, são os momentos que vivemos. Já falei sobre isso no meu texto sobre o adulto perfeito.

Tô escrevendo esse texto pra incentivar vocês a não desistirem de fazer amigos. Não forçarem amizades antigas que não dão mais certo e a continuar alimentando aquelas velhas parcerias que você sente que não vão acabar tão cedo (pelo menos não por motivos como o relatado). Esteja aberto a novos rostos, novos abraços, novas histórias, novas casas pra ir tomar um café, novos desabafos pra ouvir, novas risadas pra dar. E, principalmente, cultive o que te faz bem.

Acho que nenhum deles vai ler isso aqui, mas eu gostaria que lessem. Sim, eles que fizeram parte da minha vida de alguma maneira e que, naquele dia, precisaram falar. Falo isso porque esse texto não é uma indireta, mas sim uma direta. Bem direta. Não coloco nomes aqui porque além de ser desnecessário, eu ainda respeito muito o ser humano que eles são, embora não me identifique nem um pouco com o ser humano que se tornaram.

Quando paro pra pensar em tudo isso, aqui, no blog que tenho há tanto tempo, noto que tenho sorte. Sorte de ter bons motivos pra acordar no dia seguinte, de ter perto de mim pessoas incríveis que nem cabem dentro do coração de tão fodas que são. Agradeço todos os dias por terem aparecido na minha vida, a maioria tudo no começo do ano passado, e terem me feito viver além da internet; terem me levado pra dar os rolê; terem me feito sambar bêbada num show de pagode - e perceber que eu estava num aniversário muito tempo depois de cantar parabéns; terem me acordado com ligações do tipo "acorda, sua desgraçada, tô indo almoçar contigo"; terem me incentivado a me inscrever no vestibular da UFSC e terem comemorado comigo a pequena vitória que foi passar nessa universidade (e terem me dado uns tapa na cara gritando "minha filha, sai dessa, jornalismo não é do bem, vai vender sua arte, faz engenharia GOULART, Tadeu's words). Enfim, cara, são tantas coisas pelas quais sou grata que jamais vão caber num post aqui no Pe-dri-nha.

Duas das últimas coisas divertidas que fiz foi com o Gaví. A primeira foi ir na festa de sexta passada e decidir isso com ele meia hora antes de sair de casa. A segunda foi gravar esse vídeo que deixo aqui, pra finalizar essa monografia que acabei de escrever.


Faça seu dia valer a pena. Saia sozinho quando não tiver companhia. Veja sessão da tarde se não tiver HBO. Veja se é realmente necessário continuar no emprego que só te desmotiva. Seja sincero com as pessoas; fingir que tá tudo bem só vai fuder sua vida. Dê valor aos momentos de cada fase da sua existência. Chame alguém pra tomar uma cerveja numa noite de sexta. Bote suas músicas favoritas e dance como se tivesse 15 anos de novo. Antes de tentar rebaixar alguém, veja se isso vai realmente fazer de você alguém mais foda (você sabe que não). Se um relacionamento não tá bom, cai fora. Ninguém é obrigado a ser o amigo perfeito, o namorado perfeito, o irmão perfeito, o filho perfeito. Se tem uma coisa que a gente é obrigado nessa vida é ser feliz... porque isso, cara, ninguém vai fazer por você.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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