Sobre liberdade

10 de abril de 2015

Entre uma garfada de macarrão e uma mordida de chocolate, nessas tardes em que eu não faço muita questão de pentear o cabelo, comecei a refletir no quanto eu venho me tornando a pessoa que eu gostaria de ser quando crescer. Isso me dá uma paz inexplicável.


Tudo isso aconteceu em menos de um ano. Não que todas as coisas vividas antes disso não colaborassem para a Manie do dia 10 de abril de 2015, mas não dá pra comparar o salto que a minha vida deu nesses últimos, sei lá, 15 meses.

Desde que levei o carpe diem a sério, nunca mais vivi um dia em vão. Passei a me permitir sentir as coisas a fundo e não apenas superficialmente. Não esperei companhia pra fazer o que eu tinha vontade, pois sabia que os sonhos que pertenciam a mim poderiam não pertencer a outro alguém. Várias vezes fiz minha mala e me enfiei em ônibus, mesmo sem grana no bolso, sabendo que no meu destino eu teria pessoas maravilhosas me esperando pra fazer aqueles dias valerem a pena.

Tampei os ouvidos pra qualquer comentário negativo e experimentei o que há de melhor na vida - ou pelo menos um aperitivo do que me espera daqui pra frente. Estudei, enquanto me falavam pra trabalhar; trabalhei, enquanto me falavam pra descansar; vi minha banda favorita ao vivo, enquanto alguns diziam ser um sonho supérfluo; aguentei 10 horas num ônibus só pra ver meu irmão se formar; enfrentei um medo de infância e fiz minha primeira tatuagem; me meti num avião pra prestar uma prova que eu não tinha certeza se ia passar, enquanto me diziam pra sonhar mais baixo; e agora, preparo minhas malas e me desapego de cada detalhe que me cerca, porque eu vou embora logo... Enquanto me falam pra ficar.

Sorte minha é que a vida me deu pessoas de bem, que quando me aconselham, não o fazem pra provar suas verdades intocáveis, mas por amor a mim. Pessoas que só de estar perto já me dão um sentido pra estar aqui. Pessoas que me viram nascer e pessoas que eu conheci ontem. Pessoas que me mostraram o que há de mais lindo dessa vida: ser livre. 

A partir do momento que me libertei, me tornei um ser humano melhor. Passei a deletar da minha vida o que me faz mal e a dar espaço ao que me faz bem; me livrei de discussões sem fundamento, preferindo o bem estar da minha alma do que provar que eu estava certa; abri meus horizontes, quebrei paradigmas, entrei em lutas que interferem na minha vida direta ou indiretamente. Ajudei pessoas a alcançarem seus sonhos e fui ajudada por elas. 

É triste saber que ainda existe muita gente presa. Gente que não consegue levar a vida com leveza. Gente que tá mais preocupada com a vida alheia do que em fazer o bem. Gente que cria ódio gratuito de você, dos outros, do mundo. Gente que parece viver numa bolha. Gente que não gosta de ver na liberdade do outro a sua covardia.

Abra seu coração. Ultrapasse seus limites a cada dia. Não ache que as micromudanças são inúteis por não abrangerem uma mudança mundial. Somos mais de 6 bilhões de pessoas vivendo aqui nesse planeta, cara. Foque na alegria das pessoas, sabendo que 1) elas não tem os mesmos valores que você, 2) elas não tem os mesmos sonhos que você e por último, mas muito importante: 3) elas não tem a mesma religião que você. 

Não se tranque no seu mundo de ideias prontas. Liberte-se. Ainda dá tempo.

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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