Guia de sobrevivência fora do bairro

28 de maio de 2015

Já ouvi muita gente negar rolê porque não sabe chegar no lugar. Mesmo que eu insista, prometa chocolates e 1 garrafa de bud, dê oito opções de ônibus e até chame pra dormir aqui em casa na volta, tem pessoa que parece que vai morrer se sair do bairro onde mora.

Há muito tempo, eu ficava muito insegura em ir pra lugares desconhecidos, ainda mais sozinha. Porém, quando percebi que estava me privando de um monte de aventuras e momentos legais, parei com a neura. Tem gente que me chama de louca, mas não ligo muito (Mutantes feelings). 

UFSC - Floripa/SC

Não tenho uma lista de lugares idos infinita, como muita gente que tem blog por aí, mas fiquei surpresa ao ouvir do meu vô a seguinte frase: "essa menina já conheceu mais lugares com 20 anos do que eu, com 80". Isso me deu um gás muito grande pra continuar essa jornada de lugares desconhecidos, porque se até meu avô tava achando maneiro, por que me negar?

Já fui pro Rio de Janeiro com 28 reais na carteira (detalhe: eu moro em Santos/SP), confiando no Tadeu, que disse que me esperaria na rodoviária; fui pra Florianópolis sem saber onde era a casa da minha amiga, segura do pedaço de papel amarelo que eu carreguei na carteira, informando os ônibus que eu deveria pegar e o ponto que eu deveria descer; inúmeras vezes já fui pra Bertioga só com a grana da ida, porque Cassio ia pagar a volta; fora todos os rolês aqui na cidade/redondezas que eu não fazia a menor ideia de como chegar e cheguei (e voltei viva!). Com ou sem companhia, eu me permito viver todas essas experiências. 

Pedra do Arpoador - Rio de Janeiro/RJ

FUI PARAR NA RUA ERRADA

Migos, não há motivo pra pânico. Entrar em uma rua desconhecida não vai te fazer ficar preso nela pra sempre, como num filme de terror ou coisa parecida. O máximo que vai acontecer é você pedir informação pra algum tio da padaria ou moça da lanchonete e pronto, você logo estará na avenida certa. 

Uma vez, me perdi em São Paulo com dois amigos. SÃO PAULO CITY, isso mesmo. A gente deixou nossas coisas no hostel e foi procurar uma padaria pra comer. Na hora de voltar, resolvemos pegar outro caminho. Resultado: 2 horas andando pela Vila Madalena, 1 chinelo arrebentado e mais fome do que antes. 

O importante é que você sempre vai se encontrar. Pode demorar o tempo que for, mas 1) você não vai parar em Silent Hill e 2) vai ter história pra contar.

Capão Redondo - São Paulo/SP


PEGUEI O ÔNIBUS ERRADO

Se o problema é pegar ônibus e parar no lugar errado, peça informação pro motorista. Caso você esteja num nível de desespero arrebatador, basta continuar no veículo até o mesmo voltar pro lugar onde você pegou ele. Se o ônibus estiver indo pra garagem, lembre-se que a garagem não é um lugar inabitado, no meio do deserto do Novo México. Lá tem pessoas que falam e sabem onde estão. Pergunte.

aeroporto de Guarulhos/SP

orquidário - Santos/SP

Mercado Municipal - São Paulo/SP

Forte São João - Bertioga/SP

na estrada - Araçatuba/SP

show do Muse no Lollapalooza | autódromo de Interlagos - São Paulo/SP

Praia de Barra do Una - São Sebastião/SP

Santo Antônio do Pinhal/SP

estação da Luz - São Paulo/SP

Campos do Jordão/SP

praia de Icaraí - Niterói/RJ

praia do Embaré - Santos/SP

 Bolsa Oficial do Café - Santos/SP

Jardim Botânico - Rio de Janeiro/RJ

praia do SESC - Bertioga/SP

show da Pitty | praia do Indaiá - Bertioga/SP 

praia das Conchas - Guarujá/SP

Corcovado - Rio de Janeiro/RJ


Se você ainda tem medo de sair de casa por causa desses detalhes, comece com pequenas descobertas. Chame alguém pra fazer um picnic num lugar diferente, na sua própria cidade. Comece a aceitar os convites de passeios mesmo sem saber como vai fazer pra voltar (você vai voltar, acredite em mim). E o principal: passe a viajar mesmo sem companhia, porque se você mesmo não apreciar a sua presença, quem vai apreciar?

Manie
estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tomo cerca de 5 doses de café diárias. amo cheiro de livro velho e sou gamada numa biblioteca. adoro vinho barato, noites frias - dessas que sai fumacinha da boca. sou rolezera, mas também gosto de ficar em casa de buenas fazendo sopa.

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