Por que eu deixei de ser vegetariana?

29/08/2015

ATENÇÃO: Esse texto de forma alguma é uma apologia ao 'não-vegetarianismo'. Leia até o final, por favorzinho, pra não tirar conclusões precipitadas. 

Lembro bem que no meu aniversário de 15 anos eu refleti sobre algumas coisas que eu fazia sem pensar. Dentre elas, estava comer carne: era algo que nessa época já não me contemplava mais e eu fazia automaticamente porque era o que me vinha ao prato, em casa. 

Foi uma das primeiras decisões que tomei na vida. Parece bobagem, mas para uma adolescente dessa idade, que tinha comidinha pronta sempre, mudar os hábitos alimentares não era uma tarefa tão simples quanto parecia.

O primeiro desafio foi passar por cima da autoridade dos meus pais (como de costume). Eles nunca foram rígidos com a minha alimentação, mas quando eu disse que não comeria mais carne, minha mãe ficou preocupadíssima. Achou que eu fosse morrer de anemia, emagrecer loucamente, ficar doente. Minha vó quase infartou, tadinha. Mas, no final, todo mundo acostumou com a ideia. Chegou ao ponto de minha mãe fazer macarrão com soja moída e fingir que era carne pro resto da família. 

Outro obstáculo foi sair da minha pequena zona de conforto alimentar, mais conhecida como "chegar da escola e ter comida pronta pra esquentar". Por mais que meus pais continuassem fazendo o arroz todos os dias (e feijão de vez em quando), a mistura era eu que fazia, porque minha mãe disse que eu que escolhi ter aquele tipo de alimentação e ninguém ia deixar de comer carne por minha causa. Com isso, passei a me aventurar mais na cozinha. 

(meu primeiro hambúrguer de soja)


VOCÊ COMIA SÓ MATO?
Keridinhos, olhem pra minha cara (ou finjam). Eu a-m-o comer. Se eu tivesse comido só mato por 6 anos 1) não teria sobrevivido e 2) estaria em depressão. 

A alimentação vegetariana é rica demais! Você não precisa ter um prato coloridinho todos os dias, mas comendo arroz, feijão e soja texturizada já tem uma refeição garantida. Se gosta de salada então, ótimo! Purê de batata, creme de mandioquinha, macarrão, legumes refogados (e coisas mais chiquetosas, porém fáceis e baratas, como abobrinha à parmegiana por exemplo... ou berinjela à milanesa! nhmmm). 

Vale ressaltar que fui ovo-lacto-vegetariana, então eu comia ovo, leite e derivados. Porém, tenho amigos veganos restritos e eles tem uma alimentação bem variada. Basta ter boa vontade de fazer isso valer a pena. 


É CARO SER VEGETARIANO?
Não. Ao contrário do que muita gente pensa, ser vegetariano é muito barato. Um pacote de soja dava pra mais de um mês. E convenhamos: o que você gasta no hortifruti é muito menos do que gastaria num açougue. Pensar que esse tipo de alimentação é coisa de rico é justamente o que a indústria da carne quer, porque vai fazer você se afastar dessa ideologia. Mas enfim, isso é outra conversa!


SOJA, A MELHOR DESCOBERTA DA MINHA VIDA.
Cara, soja é tipo batata: dá pra fazer mil coisas com ela. Sugiro que comprem a texturizada. Dá pra fazer bolinhos, molho pra massas, "carne moída", hambúrguer, etc. Você vai perceber que muita coisa que você come é definida muito mais pelo tempero do que pela carne em si. Se você misturar a soja texturizada cozida com trigo e hortelã, vai ter um kibe praticamente igual ao que está acostumado a comer.

Detalhe: 1 pacote de soja texturizada com 500g é menos de 5 reais. 
Fiz um vídeo explicando como prepara aqui


POR QUE VOLTOU A COMER CARNE?
Alguns amigos, especialmente vegetarianos, disseram que eu tive uma recaída quando eu comi lasanha com carne moída, no final do ano passado. Eu não vi dessa maneira. A pessoa tem recaída quando ela tá passando por algum tratamento e eu nunca estive em tratamento nenhum. 

O fato é: naquela noite de sábado, na casa de uns amigos, eu estava com muita fome e tive muita vontade de comer aquela lasanha, mesmo que ela tivesse carne. Até aquele momento, desde 2009, eu sempre arranjava outra coisa pra comer, aguentava um pouco até chegar em casa, comia qualquer coisa pra não deixar o anfitrião sem saber o que fazer comigo (porque tem essa de você desesperar anfitriões, preparem-se). Mas naquela noite eu tive vontade. Eu quis comer aquela lasanha e eu não quis tirar a carne dela. 

Quando você faz algo e aquilo não te deixa com peso na consciência, não há motivos pra se culpar por isso. Eu vivo uma filosofia de vida que é baseada na liberdade. Se eu tenho muita vontade de fazer algo eu faço (ou pelo menos tento, enfim). O que importa é que eu não gosto de me sentir presa a alguém, a alguma ideia ou a alguma regra que me maltrate. Eu não quis ser refém da minha ideologia, por mais bonita que ela fosse. Por que não comer se eu tinha vontade? Lembrei então da minha frase, logo quando me tornei veg: não seja vegetariano se você tem vontade de comer um big mac

Não voltei a comer carne todos os dias. Minha alimentação "vegetariana" ainda é predominante, mas quando tem pizza de calabresa ou temaki eu não deixo de comer (especialmente temaki, porque meu deus do céu, isso é viciante). 

Eu amei ser vegetariana e o fato de eu ter comido aquela lasanha (e, depois dela, voltado a comer carne aos poucos) não faz com que os meus 6 anos de vegetarianismo tenham sido em vão. Essa coisa de eternizar as coisas é um mal do ser humano. Se você namora alguém e depois de um tempo você não namora mais, isso não significa que o tempo que passaram juntos foi em vão. Em algum momento aquilo teve muita importância pra você. Se for pra considerar importante apenas o que é eterno, não temos como medir a importância de nada, pois somos seres finitos e ainda não chegamos ao nosso fim (tô poética).

Esse é o conselho que eu dou: se for pra você ser vegetariano, seja de dentro pra fora. Não faça isso por modismo ou porque a namorada é e você quer ser legal pra ela. Se você não tem mais vontade de comer carne ou sente nojo desse tipo de comida, então siga seu coração. Coma o que te faz feliz!

Manie
Estudante de jornalismo, escritora por amor e professora nas horas vagas. Tenho 22 anos, moro em Floripa com meu companheiro e tento ver graça nas coisas simples do dia-a-dia.

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